
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), fez ontem um alerta sobre os riscos à institucionalidade da República por conta de ataques que membros dos Três Poderes têm feito entre si. Para o senador, o diálogo está sendo deixado de lado e que a disputa ideológica também tem contaminado as discussões no Parlamento.
"Está muito bom agredir as instituições republicanas, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Está muito cômodo ofender os outros. A gente precisa compreender as pessoas que pensam diferente. Ofender, subjugar, agredir e atacar não vai construir o Brasil que os brasileiros precisam e esperam dos Poderes. Está todo mundo passando dos limites institucionais que norteiam a boa convivência na relação republicana", advertiu, em discurso na posse do deputado José Guimarães (PT-CE), que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), em substituição à deputada Gleisi Hoffmann (PT), que disputará uma vaga ao Senado pelo Paraná.
O aviso de Alcolumbre veio horas depois da divulgação do relatório final da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). No documento, que foi rejeitado pela comissão de inquérito, ele pediu o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, todos do Supremo Tribunal Federal (STF), além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O relatório elevou a temperatura da crise entre Legislativo e Judiciário. Os magistrados responderam de maneira dura a Vieira e contaram com a solidariedade de outros integrantes da Corte, como Flávio Dino e André Mendonça.
Segundo Alcolumbre, "infelizmente nos dias atuais está muito difícil fazer política com seriedade, porque, a todo instante, as pessoas estão pensando em um processo eleitoral e, efetivamente, não estão pensando na vida das pessoas que precisam".
Mas isso não quer dizer que o senador também não tenha passado recados ao Palácio do Planalto. Fez questão de salientar que as políticas sociais aprovadas nos últimos meses foram "construídas a várias mãos" e com "muita contribuição do Legislativo". A crítica velada de Alcolumbre foi porque o Palácio do Planalto tem tentado faturar eleitoralmente com as políticas voltadas para a população, a fim de reforçar o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Nos bastidores do Congresso, tal postura tem incomodado integrantes da base aliada — que querem surfar na onda de boas iniciativas, com vistas às urnas, em outubro.
Guimarães, por sua vez, deixou claro que está pronto para fazer o meio-campo entre o Palácio do Planalto e o Legislativo. "Me sinto muito aliviado em terminar minha missão [de líder do governo] com essa quantidade de parlamentares aqui para agradecer tudo o que fizemos juntos, marcados pelo diálogo, pela defesa do Parlamento. Você não constrói a democracia se não tiver diálogo com todos e sem deixar de reconhecer a pluralidade que é o Parlamento", observou. (Com AE)Saiba Mais

Política
Política
Política
Política