Escala 6x1

Motta diz que seguirá cronograma da PEC do fim da escala 6x1

Presidente da Câmara mantém estratégia de votação por emenda constitucional, enquanto Executivo aposta em projeto de lei; CCJ adia análise após pedido de vista da oposição

Motta afirma que seguirá análise da redução da jornada 6x1 com a proposta de PEC.
 -  (crédito:  Marina Ramos / Câmara dos Deputados)
Motta afirma que seguirá análise da redução da jornada 6x1 com a proposta de PEC. - (crédito: Marina Ramos / Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu manter a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1, mesmo diante da ofensiva do governo federal, que tenta conduzir o tema por projeto de lei. “Nós vamos seguir o cronograma da proposta de emenda da Constituição”, afirmou, nesta quarta-feira (15/3), ao tratar do tema como prioridade da Casa.

A declaração explicita o impasse entre Legislativo e Executivo sobre o melhor caminho para viabilizar a mudança. Na véspera, o governo sinalizou apoio à redução da jornada, defendendo uma proposta por lei ordinária. Motta, no entanto, reforçou que a Câmara já definiu o rito. “Na Câmara, nós já havíamos traçado uma tramitação para que a matéria seja apreciada através de proposta de emenda à Constituição”, disse.

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O presidente também minimizou o impacto da iniciativa do Executivo sobre o planejamento da Câmara. “O envio da parte do governo do projeto de lei não muda o cronograma pré-estabelecido pela presidência”, afirmou. Para ele, a PEC permite um debate mais amplo e estruturado. “Com a PEC, nós temos um âmbito maior para a discussão”, argumentou.

No mérito, Motta defendeu que a proposta avance com cautela e diálogo. “O ganho que nós queremos dar à classe trabalhadora é um tempo a mais de convivência com a família, para cuidar da saúde e para o lazer”, disse. Ele acrescentou que há um sentimento favorável entre lideranças para a aprovação da medida, mas ressaltou a necessidade de uma tramitação “muito responsável”, com escuta de todos os setores e atenção aos impactos econômicos e às regras de transição.

Especialistas defenderam a análise aprofundada por meio de uma PEC. Na visão da advogada trabalhista Elisa Alonso, o ritmo acelerado da tramitação, da forma de projeto de Lei como o governo propõe, está mais ligado ao ambiente político do que a uma construção técnica consistente. “Em um ambiente marcado por forte apelo político e eleitoral, era esperado que esta pauta, com alta capacidade de mobilização social, avançasse nas etapas iniciais do processo legislativo”, afirma. Ela alerta, no entanto, que a falta de análises setoriais pode gerar impactos relevantes em áreas como comércio, saúde e indústria, especialmente pela ausência de uma transição estruturada.

Na mesma linha, a especialista em Direito Empresarial e do Trabalho Débora Cursine avalia que o tema deixou de ser apenas uma bandeira social e passou a ocupar o centro da agenda institucional, ainda que enfrente entraves, como o pedido de vista que suspendeu temporariamente a discussão. Segundo ela, o debate agora exige aprofundamento técnico, sobretudo diante da proposta do Executivo de reduzir a jornada para 40 horas semanais sem corte salarial.

Débora destaca que o principal desafio será a implementação prática da medida em setores com funcionamento contínuo, onde os custos tendem a ser redistribuídos. “Trata-se de uma discussão legítima, mas a maturidade dependerá menos do apelo político inicial e mais da capacidade de estruturar uma implementação tecnicamente sustentável, com segurança jurídica e sensibilidade às diferenças entre os setores”, conclui.

 

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Por Wal Lima
postado em 15/04/2026 20:30 / atualizado em 15/04/2026 20:43
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