
O governo federal sinalizou, nesta quinta-feira (16/4), abertura para negociar uma transição no processo de extinção da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com apenas um de descanso. A indicação foi feita pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante café da manhã com jornalistas, poucos dias após o envio do projeto ao Congresso Nacional.
Segundo Guimarães, embora a proposta original não preveja uma fase gradual, o Executivo está disposto a discutir alternativas durante a tramitação legislativa. “Se tem um debate, nós temos que estar abertos para discutir a transição. Eu acho que é possível discutir, mas isso quem vai dizer é o Congresso”, afirmou.
A posição difere do entendimento apresentado pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que defendeu a implementação imediata da nova jornada. Na véspera, ele declarou que a intenção do governo é que a mudança passe a valer assim que aprovada, ressaltando, no entanto, a autonomia do Legislativo para modificar o texto.
- Leia também: Fim da escala 6x1 opõe Congresso e governo
Marinho também criticou a demora da Câmara dos Deputados em avançar com o tema, o que teria levado o presidente a encaminhar a proposta em regime de urgência. O ministro falou com jornalistas no Palácio do Planalto ao lado do também ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral).
Outro ponto de divergência no debate é o financiamento da redução da jornada sem corte de salários. Marinho se posicionou contra a possibilidade de desoneração da folha de pagamento das empresas como forma de compensação. “O país não suporta isso”, disse, ao argumentar que renúncias fiscais em larga escala comprometem o equilíbrio das contas públicas.
A proposta de mudança na jornada de trabalho é vista como uma das principais apostas do governo para impulsionar a popularidade do presidente em ano eleitoral, quando Lula deve disputar novo mandato.

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