
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16/4) ser contrário a qualquer iniciativa do governo federal para socorrer o Banco de Brasília (BRB), em meio às discussões sobre o futuro da instituição. A declaração foi feita durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto e reforça a resistência no governo a uma eventual intervenção.
“Sou radicalmente contrário, na minha opinião, a socorrer o BRB”, disse o ministro. A posição também é compartilhada pelo Ministério da Fazenda, que já havia sinalizado não apoiar medidas como a federalização do banco. Segundo integrantes da equipe econômica, a responsabilidade pela condução da crise deve permanecer com o governo do Distrito Federal.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou recentemente que não há aval da pasta para avançar em propostas de transferência de controle da instituição. Ele destacou que o Distrito Federal deve encontrar soluções próprias para lidar com a situação do banco.
Apesar da resistência a um socorro direto, o governo federal admite alternativas indiretas. Entre elas, a possibilidade de bancos públicos federais, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, adquirirem ativos do BRB. Qualquer operação desse tipo, contudo, dependeria de negociação e aprovação do Banco Central.
Compliance Zero
As declarações ocorrem no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A ação faz parte de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master, cuja liquidação foi determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Costa comandou o BRB entre janeiro de 2019 e novembro de 2025 e já havia sido afastado do cargo por decisão da Justiça Federal de Brasília durante as investigações. À época, um pedido de prisão chegou a ser feito, mas foi negado.
Guimarães comentou o avanço das investigações e elogiou o trabalho da Polícia Federal. “Ao final, nós vamos saber quem são os responsáveis. Doa a quem doer, é preciso que isso seja feito”, afirmou, ecoando o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre responsabilização.
Durante a conversa com jornalistas, o ministro ainda fez uma breve brincadeira ao comentar a notícia da prisão, mencionando inicialmente o nome do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, antes de corrigir que se tratava do ex-presidente do banco.

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