
Entre 2000 e 2001, João Angelini teria seu primeiro contato com arte contemporânea, em Brasília, sem imaginar que, mais de uma década depois, teria sua primeira exposição individual internacional em Yokohama, no Japão. Intitulada “passageiro”, a mostra está em cartaz até 6 de maio na Under-the-Railway Studio Site-A Gallery, em Koganecho, com visitação de terça a domingo, das 13h30 às 19h.
Cria de Planaltina, no Distrito Federal, Angelini começou a formação na Universidade de Brasília (UnB) sem compreender como se estruturava o sistema da arte ou o que significava sustentar uma trajetória como artista. Até porque, segundo o artista, em 2002 ainda não havia exatamente um sistema para ser compreendido. Mas, por coincidência, deste ano em diante houve uma importante consolidação do sistema da arte no Brasil por meio de um projeto político e econômico nacional com impactos diretos nas políticas públicas. “Eu me entendo como cria dessas políticas públicas de fomento à arte, porque foi dentro desse ambiente que consegui me formar, produzir e me inserir”, afirma Angelini.
Os primeiros dez anos de trajetória foram marcados por editais, prêmios, bolsas e atuações independentes. Depois desse período, com uma inserção mais consolidada, João começou a se relacionar de forma direta com o mercado, estabelecendo diálogos e ampliando as formas de sustentar a prática artística.
No ano passado ele completou 20 anos de carreira e recebeu o convite da Embaixada do Brasil em Tóquio, com apoio do Instituto Guimarães Rosa e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, por meio do Programa Conexão Cultura DF, para uma residência de seis meses em Yokohama para desenvolver trabalhos inéditos que estão expostos desde 11 de abril.
São 23 trabalhos inéditos, sendo um deles uma performance realizada na abertura, em múltiplos suportes: gravura, pintura, escultura, vídeo, animação, performance e instalação. O processo criativo foi permeado por conceitos fundamentais da cultura japonesa como a impermanência, memória e a impossibilidade de repetição. Parte das obras é desdobramento de pesquisas anteriores e atuais, agora atravessadas por questões de impermanência, efemeridade e memória.
Toda a construção partiu da experiência direta, da escuta e da imersão no contexto japonês. “Estou muito satisfeito com o conjunto da exposição e com a qualidade das obras. A contribuição da Tereza de Arruda, curadora que assina o texto, foi fundamental para entender o conjunto e criar a solidez que a exposição apresenta. Me sinto honrado em corresponder com excelência à confiança da Embaixada do Brasil em Tóquio, do Instituto Guimarães Rosa e da Secretaria de Cultura do DF”, afirma o artista.
João Angelini retorna ao Brasil em maio e permanece por dois meses. Depois, os destinos são Alemanha e Portugal. “Esse movimento faz parte de um planejamento mais amplo para consolidar uma inserção internacional. Ao mesmo tempo, existe um cuidado em manter esse processo equilibrado, aprofundando as relações institucionais e de mercado no Brasil, sem romper com esse contexto”, conta.
Serviço
Exposição — passageiro
Até 6 de maio, de terça a domingo das 13h30 às 19h, na Under-the-Railway Studio Site-A Gallery, em Koganecho, Yokohama.

Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte