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Lula critica bets e defende proibição: 'Jogatina desenfreada'

Presidente afirma que há chances de o setor de apostas ser encerrado e critica modelo atual de financiamento político no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é a favor do fim das casas de apostas no Brasil, conhecidas como “bets”. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (8/4) ao programa ICL Notícias, Lula criticou o crescimento do setor e classificou o cenário como uma "jogatina desenfreada".

Segundo o presidente, qualquer decisão depende do Congresso, mas sua posição pessoal é favorável ao encerramento das atividades das bets. O tema vem sendo discutido internamente no governo nas últimas semanas.

As “bets” são plataformas de apostas, principalmente esportivas, que permitem aos usuários apostar dinheiro em resultados de jogos e eventos. Nos últimos anos, com regulamentação, esse mercado cresceu rapidamente no Brasil, com forte presença em publicidade, especialmente no futebol. Veja:

Lula questionou a utilidade do setor e levantou dúvidas sobre os impactos sociais. Segundo ele, há indícios de que as apostas podem causar prejuízos à população, o que motivou discussões dentro do governo. "Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio das bets. Tenho debatido exatamente isso: se elas causam o mal que a gente acha que causam, por que não acabar com as bets? Ou então regular para que não haja tantas no Brasil, se é que têm alguma serventia", disse.

O presidente afirmou que, caso os efeitos negativos sejam confirmados, há duas possibilidades em análise. Uma seria encerrar completamente as atividades. A outra seria estabelecer regras mais rígidas para limitar a atuação das empresas no país.

Durante a entrevista, Lula destacou preocupações com o crescimento do setor e possíveis relações com o financiamento político, embora não tenha citado nomes. Ele afirmou que há conhecimento público sobre conexões entre empresas de apostas e agentes políticos. O presidente também contestou o argumento de que o setor é essencial para o financiamento do esporte, especialmente o futebol. Segundo ele, a modalidade esportiva existiu por mais de um século sem depender das apostas.

A discussão sobre o tema ocorre em um momento de expansão das plataformas, que se tornaram uma importante fonte de patrocínio para clubes e competições esportivas no país.

Críticas ao financiamento eleitoral

Além das apostas, o presidente também fez críticas ao modelo atual de financiamento eleitoral no Brasil. Ele afirmou que o sistema, baseado em recursos públicos como o fundo partidário e o fundo eleitoral, tem gerado distorções.

Segundo Lula, o alto volume de recursos disponíveis contribuiu para o que chamou de “promiscuidade política”. Ele destacou que, na prática, dirigentes partidários passaram a concentrar grande poder sobre a distribuição desses recursos.

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