O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Caso Master tem potencial para prejudicar a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e relatou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido de participar de decisões relacionadas ao tema. A declaração foi feita em entrevista ao programa ICL Notícias, nesta quarta-feira (8/4). "Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes: 'Você fez uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro, não permita que joguem fora a sua biografia'”, disse Lula.
Segundo o presidente, a situação envolve questões que, embora possam ser legais, podem ser vistas como inadequadas pela população, especialmente em um contexto político sensível. O caso envolve o Banco Master e relações com o escritório de advocacia ligado à mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes. O escritório confirmou ter mantido contrato com a instituição entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período que inclui a liquidação do banco.
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Para Lula, a situação exige transparência. Ele afirmou que é importante esclarecer se há conflito de interesses e que, em casos que envolvam familiares, o ministro deveria se declarar impedido de votar. “Na Suprema Corte, estará impedido de votar em casos que envolvam sua esposa”, disse o presidente ao relatar a conversa com Moraes.
Lula foi direto ao avaliar o impacto do episódio. “Prejudica a imagem, obviamente”, afirmou. Ele ressaltou que a percepção pública é central em casos desse tipo. Segundo o presidente, mesmo que não haja ilegalidade, a situação pode ser interpretada de forma negativa pela sociedade. Ele também destacou que o tema tende a ganhar maior repercussão por ocorrer em um ano eleitoral. “Em um ano político, as pessoas vão dar muito destaque a isso”, disse.
O presidente defendeu que o caso seja tratado de forma aberta e com explicações claras à população. Ele afirmou já ter conversado com outros ministros sobre o assunto. “Essas coisas não podem ser colocadas debaixo do tapete, achando que o povo vai esquecer”, declarou.
Lula também alertou que o episódio deve ser explorado politicamente, especialmente por grupos de oposição. Segundo ele, o caso pode ser utilizado em campanhas eleitorais. Durante a entrevista, Lula comentou ainda os depoimentos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que pode firmar uma delação premiada. O presidente afirmou que o processo exige cautela.
Ele defendeu que os depoimentos sejam acompanhados por mais pessoas para evitar irregularidades. “Pode ser uma delação comprada”, afirmou. Lula também mencionou valores envolvidos no caso, citando cerca de R$ 12 bilhões cuja origem ainda precisa ser esclarecida.
Propostas para o STF
O presidente aproveitou para defender mudanças nas regras para ministros do STF. Segundo ele, é necessário reforçar critérios éticos e de compromisso com a função. “Se quer ficar milionário, não pode ser ministro da Suprema Corte”, afirmou. Ele destacou que o cargo exige dedicação exclusiva à defesa da Constituição e da democracia, sem interesses financeiros paralelos.
Crítica à Globonews
Lula também criticou a forma como o caso foi apresentado pela GloboNews, especialmente um quadro gráfico que relacionava nomes ligados ao episódio. Segundo o presidente, a abordagem foi inadequada e pode induzir interpretações equivocadas. Ele questionou a associação de sua imagem ao caso sem uma conexão clara. “Eu sou o presidente da República, se um cidadão pedir conversa comigo, eu atendo”, disse.
