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Ramagem deixa prisão do ICE

Ex-deputado foi detido pela imigração dos EUA, segunda-feira, por documentação irregular. Ele fugiu do Brasil para não ser preso pela participação na trama golpista

Pouco mais de 48 horas depois de ser preso, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi liberado, ontem, da prisão realizada pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). O ex-parlamentar fugiu do Brasil, no ano passado, para não cumprir a pena determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por conta da participação que ele teve na organização que tentou dar um golpe de Estado no país. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi condenado a 16 anos e um mês de prisão.

Ramagem foi preso segunda-feira, em Orlando, na Flórida, por questões migratórias, segundo a Polícia Federal (PF). Ele estaria usando um passaporte diplomático sem validade, uma vez que, com a cassação do mandato pela Câmara dos Deputados, perdeu o direito ao documento — que utilizara ao fugir do país pela Guiana.

Ainda na segunda-feira, o ex-deputado foi levado a um centro de detenção no Condado de Orange, também na Flórida, onde ficou em uma cela separada. Porém, ontem o nome de Ramagem não mais fazia parte da lista de detidos do centro. Também não constava no sistema do ICE. Ele teria sido solto por volta das 15h50 (em Brasília).

Na prisão realizada pelo ICE, a Polícia Federal (PF) afirmou que a detenção de Ramagem "decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA". Por causa da fuga do Brasil para não cumprir a pena, o nome do ex-deputado constava da lista da Difusão Vermelha da Interpol, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes — relator na Primeira Turma do STF dos processos relacionados à trama golpista.

Mas, em janeiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que pedira a extradição de Ramagem e encaminhara o documento ao governo norte-americano. Segundo fontes do governo, a Embaixada do Brasil em Washington remeteu a solicitação ao Departamento de Estado norte-americano em 30 de dezembro.

Bolsonaristas asseguram que Ramagem deu entrada, junto ao governo dos EUA, de um pedido de asilo político alegando perseguição política no Brasil. Ele, inclusive, vinha propalando essa versão nas participações que fazia em um podcast apresentado pelo blogueiro Allan dos Santos, outro foragido da Justiça brasileira. O programa frequentemente faz ataques ao STF, a Moraes e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A liberação de Ramagem agitou os bolsonaristas nas redes sociais. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se autoexilou nos EUA, comemorou. "Agradeço principalmente ao presidente Trump e ao secretário Marco Rubio pela sensibilidade em tratar do caso deste verdadeiro herói nacional, que mesmo perseguido não se abate. Ramagem merece asilo na terra da liberdade ao lado sua brava esposa", publicou no Instagram.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), conversou com Ramagem por videoconferência e disse que a liberação foi com ajuda do governo Trump. "Os advogados dele tiveram muito acesso e muita cooperação do [secretário de Estado dos EUA] Marco Rubio e dos contatos com a Casa Branca. Não é comum essa celeridade na solução do caso dele. A Casa Branca, com certeza, ajudou a resolver", afirmou, na pré-estreia do documentário A Colisão do Destino, ontem, em Brasília.

 

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