Em uma reportagem especial, o Wall Street Journal, do bilionário Rupert Murdoch, afirma que o Primeiro Comando Capital (PCC) é uma das maiores organizações criminosas do mundo e trafica drogas para os Estados Unidos e a Europa. A publicação, colocada no ar na segunda-feira (20/4), reforça a pressão da política interna para que o governo norte-americano declare a facção como grupo terrorista.
A reportagem afirma que o PCC estaria "reformulando os fluxos globais de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa e avançando em direção aos Estados Unidos". O Wall Street Journal afirma foram identificados integrantes da facção brasileira na Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.
A reportagem do jornal norte-americano afirma que atualmente o PCC tem 40 mil membros e está presente em 30 países de todos os continentes, exceto na Antártida. "Os membros do PCC mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama. [...] Novos integrantes aderem a um rígido código interno de conduta, e seus rituais de ingresso às vezes são realizados por videoconferência", destaca o texto.
O periódico afirma que está em andamento uma discussão para que Donald Trump caracterize o PCC como entidade terrorista. No entanto, ressalta que o governo brasileiro é contra.
Pressão econômica
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta evitar que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. A avaliação é de que este tipo de definição poderia abrir espaço para sanções econômicas contra o país e empresas brasileiras. Além disso, poderia justificar ações militares, como as que ocorrem na costa da Venezuela.
Ao Correio, Fábio de Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, e doutor em direito, política e sociedade, destaca que, de fato, o PCC ganhou dimensão internacional, mas afirma que outras nações também têm responsabilidade, pois existem brechas que permitiram a expansão da facção.
"Não há dúvida de que o PCC cresceu e expandiu suas operações pelo mundo; quem acompanha a produção acadêmica sobre esse grupo já sabe disso há muito tempo. A questão é como isso deve ser enfrentado. Se o PCC investe nos EUA, é porque há lacunas na legislação americana que permite isso, então uma das primeiras coisas que os EUA deveriam buscar fazer é fechar essas lacunas, inclusive porque não devem ser aproveitadas apenas pelo PCC", afirmou.
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