A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) defendeu nesta quarta-feira (29/4) o fim da escala 6x1, ao classificá-la como uma “escravização moderna” que compromete a dignidade dos trabalhadores. A declaração ocorreu durante a instalação da comissão especial responsável pelo tema na Câmara dos Deputados.
O colegiado inicia a análise da proposta de redução da jornada de trabalho com a expectativa de levar o texto ao plenário ainda em maio. Segundo apurou o Correio, a tramitação deve ocorrer em ritmo acelerado, com duas ou três reuniões semanais, permitindo a votação no plenário ainda no próximo mês.
A comissão pretende ouvir representantes de diferentes setores, como empresários, trabalhadores, especialistas e integrantes da sociedade civil, para subsidiar as discussões. O deputado Alencar Santana (PT-SP) preside a comissão e Léo Prates (Republicanos-BA) será o relator da matéria.
Durante o início dos trabalhos, Erika Hilton fez um discurso criticando o atual modelo. “A classe trabalhadora brasileira não pode seguir aprisionada numa jornada de trabalho que não permita a vida, que não dê dignidade às pessoas. As pessoas não podem viver para trabalhar, precisam trabalhar para viver”, afirmou.
A deputada destacou especialmente o impacto da escala sobre as mulheres, que ainda precisam executar tarefas domésticas. “Se nós pensarmos nas mulheres, que têm dupla, tripla jornada, que são mães, muitas vezes solo, com um único dia para organizar a vida, veremos o quanto estamos diante de um modelo de escravização moderna”, declarou. Segundo ela, o regime atual “rouba sonhos” e limita as possibilidades de ascensão social dos trabalhadores.
Hilton também defendeu que a redução da jornada pode ser implementada sem prejuízos econômicos. “Nós não desprezamos o debate econômico, mas entendemos que é possível avançar com a redução da jornada sem redução salarial. Um trabalhador descansado produz mais”, argumentou, citando experiências internacionais que, segundo ela, não registraram queda de produtividade após mudanças semelhantes.
Por fim, a parlamentar indicou que a proposta deve avançar de forma gradual. Embora haja defesa de uma jornada de 36 horas semanais em quatro dias, o texto em discussão tende a propor inicialmente 40 horas distribuídas em cinco dias. “É um processo gradual. Vamos amadurecer esse debate agora e seguir construindo o futuro”, afirmou.
Saiba Mais
-
Política AGU não participou do caso Master, afirma Messias em sabatina no Senado
-
Política Lula fará pronunciamento do Dia do Trabalho na noite desta quinta-feira
-
Política Messias critica "inquéritos eternos" e defende prazo razoável em investigações
-
Política Constituição é meu primeiro código de ética, diz Messias em sabatina no Senado
-
Política Oposição dribla articulação do governo e garante Moro em sabatina de Messias
-
Política Turismo reage à proposta de fim da jornada 6x1 em debate no Congresso
