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Executivo e Legislativo: quando a engrenagem da articulação enguiça

Resultados negativos anteriores evidenciaram o distanciamento entre o Palácio do Planalto e o Parlamento

Guimarães estreou na SRI amargando duas grandes derrotas -  (crédito: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
Guimarães estreou na SRI amargando duas grandes derrotas - (crédito: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

As duas derrotas em sequência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, no Congresso, evidenciam um dos maiores problemas do governo desde o início do mandato: a dificuldade na articulação política com os parlamentares. A sequência de reveses representa o momento de maior tensão na relação entre Executivo e Legislativo, até agora, mas está longe de ser o único. Resultados negativos anteriores evidenciaram o distanciamento entre o Palácio do Planalto e o Parlamento.

Tal como a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Chama a atenção o erro de cálculo da articulação do governo. Estimavam aprovação por 41 a 45 votos, mas o indicado obteve 34. Para aumentar a frustração, no dia seguinte o Congresso derrubou o veto ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que prevê a redução de penas para os condenados pela tentativa de golpe de Estado.

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Na busca por culpados, a desarticulação é atribuída ao atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, e ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Depois de reunião com o presidente no Palácio da Alvorada, no dia da sabatina, Guimarães disse triunfante a jornalistas: "Vitória". Os dois tinham a certeza de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se manteria neutro.

Primeiro a comandar a SRI, Alexandre Padilha foi realocado no Ministério da Saúde após uma série de embates com o Parlamento. Na função, recebeu críticas constantes de lideranças do Congresso por demorar a atender demandas, incluindo a liberação de emendas e a indicação de cargos de segundo e terceiro escalões. Também foi alvo do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): em 2024, classificou-o de "incompetente" e de "desafeto pessoal".

Em março de 2025, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) assume a SRI. Parlamentares elogiavam sua postura e disposição ao diálogo, mas ela viu a aura de boa vontade cair em agosto de 2025. O governo foi surpreendido na montagem da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, quando um acordo costurado por Alcolumbre, que beneficiaria os governistas, foi quebrado. O Planalto esperava a aprovação do senador Omar Aziz (PSD-AM) para presidir o colegiado, mas o eleito foi Carlos Viana (PSD-MG), de oposição. Pior: o deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (PL-AL) tornou-se o relator.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a anunciar publicamente rompimento com o então líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ). A reação foi por causa das críticas dos governistas à gestão de Motta e ao slogan "Congresso inimigo do povo" disseminado pelas esquerdas nas redes sociais.

Na mesma época, Alcolumbre afastou-se de Wagner. Motivo: o pouco empenho do petista em demover Lula de indicar Messias e substituí-lo por Rodrigo Pacheco (PSB-MG), como pretendia o presidente do Senado.

Aliados de Lula defendem retaliar Alcolumbre, que detém cargos com grande poder, como na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba. O senador, inclusive, conseguiu a abertura de escritório da Codevasf no Amapá, estado da Região Norte, apesar de a região relacionada aos dois grandes rios ser a Nordeste. Mas não é somente isso. O senador indicou os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações), que entraram na mira daqueles que defendem o rompimento com o presidente do Congresso.

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postado em 04/05/2026 02:45
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