
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu nesta quinta-feira (7/5), durante audiência pública da comissão especial que discute o fim da escala 6x1, na Assembleia Legislativa da Paraíba, que o Brasil já reúne condições econômicas e produtivas para avançar na redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Para ele, o país “está atrasado” em devolver à classe trabalhadora parte dos ganhos de produtividade acumulados nas últimas décadas.
Ao responder questionamento sobre os impactos da inovação tecnológica no mercado de trabalho, Marinho afirmou que o avanço da automação e da mecanização precisa ser acompanhado por políticas que garantam melhores condições laborais e distribuição dos ganhos econômicos.
“Se você pegar qualquer empresa e comparar com 20 anos atrás, verá quantos trabalhadores tinha, quanto produzia e quanto produz hoje. Houve um salto de produtividade enorme. Nós, na verdade, estamos atrasados para entregar à classe trabalhadora essa redução”, afirmou.
O ministro argumentou que o Brasil vem consolidando posição de liderança em áreas estratégicas, como transição climática, industrialização verde e modernização produtiva, e citou o agronegócio como exemplo de transformação acelerada pelo uso intensivo de tecnologia.
“Há 10, 15 anos, em muitos setores a produção era praticamente feita na foice e no facão. Hoje, você tem máquinas moderníssimas colhendo, processando, separando insumos e reaproveitando praticamente tudo. Isso elevou produtividade, competitividade e trouxe ganhos ambientais importantes”, destacou.
Segundo Marinho, o desafio agora é fazer com que esse salto tecnológico alcance de forma mais homogênea toda a economia, inclusive segmentos industriais ainda marcados por precariedade nas condições de trabalho e por maquinário defasado. Ele citou medidas adotadas pelo governo federal para acelerar a renovação industrial, como incentivos à modernização de equipamentos e linhas de financiamento voltadas à atualização tecnológica.
Na avaliação do ministro, a transição tecnológica também precisa caminhar lado a lado com proteção social e preservação dos direitos trabalhistas. Nesse contexto, ele fez um alerta duro contra o avanço da pejotização — modelo de contratação via pessoa jurídica —, classificando o movimento como um risco de retrocesso institucional.
“Nós precisamos debater a pejotização. Isso, sim, é um grande retrocesso se vingar o que está sendo discutido no Supremo Tribunal Federal. Precisamos defender o processo de avanço, de transformação e consolidar as boas coisas que o Brasil criou”, disse.
Marinho também ressaltou que o modelo formal de emprego, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sustenta parte importante da estrutura de financiamento do desenvolvimento nacional, abastecendo mecanismos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Sistema S e políticas públicas de habitação e infraestrutura.
Para o ministro, o debate sobre redução da jornada precisa ser compreendido dentro de uma visão sistêmica, que combine produtividade, inovação, competitividade internacional e valorização do trabalho. “Quanto mais a produtividade da economia brasileira avançar, mais competitivos seremos globalmente e mais condições teremos de melhorar a vida do trabalhador”, afirmou.

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