Washington

Reclassificação do CV e PCC como terroristas não foi discutida, diz Lula

Segundo o petista, o assunto não foi tratado diretamente na reunião com Trump, mas os dois países defenderam ampliar a cooperação contra o crime organizado

Além da reunião, Lula também fez um
Além da reunião, Lula também fez um "tour" pela Casa Branca ao lado de Trump - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (7/5) que não tratou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, como pretende o governo norte-americano.

O petista, porém, destacou que o combate ao crime organizado foi um dos principais temas da reunião, e que Brasil e Estados Unidos concordaram em reforçar a cooperação no tema, aplicando a troca de informações e realizando operações conjuntas.

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"Não foi discutido isso. O que eu queria dizer, eu entreguei por escrito. Cada assunto, além do que os ministros falaram, eu terminei a reunião entregando a nossa proposta escrita, em inglês, que é para ele saber o que nós queremos", respondeu Lula ao ser questionado durante coletiva de imprensa, na Embaixada do Brasil em Washington.

O governo Trump prepara um documento para classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, o que permitiria ações mais duras contra as facções. Porém, o governo brasileiro teme que a medida seja usada como pretexto para intervenções em território brasileiro, como já ocorreu na Venezuela, na Colômbia e no México.

Por outro lado, o presidente afirmou que está "levando muito a sério" o combate ao crime organizado, e que pretende fazer novos anúncios na semana que vem.

"Vamos lançar um plano de combate ao crime organizado. Quem escapou até semana que vem, tudo bem. Mas, quem não escapou, não vai escapar mais", enfatizou o petista.

Criação de um grupo contra o crime organizado

Lula defendeu a criação de um grupo entre países a América Latina para definir ações contra o crime organizado, com a participação também de outros países do mundo, como os EUA. Segundo ele, não adianta "colocar base militar" em outros países para combater o tráfico de drogas, mas sim dar alternativas econômicas aos países.

O presidente brasileiro comentou ainda que, apesar do discurso dos EUA sobre a presença de organizações criminosas brasileiras, os crimes também ocorrem no sentido contrário.

"Parte das armas que chegam ao Brasil sai dos EUA. Tem lavagem de dinheiro que é feita em estados americanos. Se a gente souber colocar a verdade em torno a mesa, podemos resolver em anos aquilo que a gente não resolveu em séculos", declarou.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que discursou antes de Lula, Brasil e Estados Unidos concordaram em fortalecer a cooperação aduaneira, e devem realizar operações conjuntas ainda neste ano, para combater lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.

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postado em 07/05/2026 17:38 / atualizado em 07/05/2026 17:43
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