
A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas e atividades do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A apuração tenta esclarecer se o dinheiro prometido para a produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve outra destinação.
Segundo investigadores, três hipóteses estão no centro das apurações: se os recursos foram efetivamente aplicados na produção audiovisual; se houve desvio de finalidade; ou se parte do montante acabou utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA. O ex-deputado vive no Texas desde março de 2025.
Nos bastidores da investigação, também surgiram dúvidas sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações envolvendo os repasses. Pré-candidato à Presidência da República, Flávio aparece em mensagens divulgadas pelo site Intercept Brasil cobrando valores prometidos por Vorcaro para o financiamento do longa-metragem.
As conversas reveladas incluem um áudio em que Flávio trata do patrocínio ao filme Dark Horse. De acordo com as investigações, o contrato previa cerca de R$ 124 milhões em aportes, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Parte das transferências teria sido intermediada pela empresa Entre Investimentos e Participações, apontada em relatórios do Coaf.
A PF também analisa movimentações envolvendo o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Investigadores suspeitam que parte dos recursos associados a Vorcaro possa ter sido destinada ao financiamento de articulações políticas e ações de lobby do ex-deputado junto ao governo do presidente Donald Trump.
O caso ganhou repercussão após o deputado Lindbergh Farias (PT) afirmar, em vídeo publicado nas redes sociais, que o filme teria servido como justificativa para transferências de dinheiro destinadas a apoiar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo ele, cerca de US$ 2 milhões teriam sido enviados para um fundo no Texas que teria ligação com o advogado do parlamentar.
A produtora GOUP Entertainment e o deputado Mário Frias (PL), produtor executivo da produção, negaram ter recebido recursos de Vorcaro para a cinebiografia. Eduardo Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre as investigações.

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