
A relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional é percebida pela maioria dos brasileiros como marcada mais por confronto do que por colaboração. É o que aponta nova pesquisa Datafolha, segundo a qual 70% da população avaliam que Executivo e Legislativo vivem um cenário de embates. Outros 20% enxergam mais cooperação entre os Poderes, enquanto 2% afirmam não perceber nem confronto nem colaboração, e 8% disseram não saber responder.
O levantamento, divulgado pelo Datafolha, ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios do país na terça-feira (12/5) e na quarta-feira (13/5). A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026 e possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo o jornal, a maior parte das entrevistas foi realizada antes da divulgação de conversas em que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master.
Os resultados refletem a série de derrotas e embates enfrentados pelo governo federal no Congresso durante o terceiro mandato de Lula. Os episódios de maior impacto ocorreram em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma votação considerada histórica para o Palácio do Planalto.
Também em abril, deputados e senadores derrubaram o veto integral do presidente ao projeto de lei da dosimetria. Outra derrota significativa havia ocorrido em 2025, quando o Congresso bloqueou alterações nas alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) propostas pelo governo por meio de decreto presidencial. Parlamentares ainda impediram a aprovação de uma medida provisória que aumentava o imposto.
Imagem do Legislativo desgastada
A pesquisa também revela desgaste da imagem do Legislativo perante a população. Para 37% dos entrevistados, o desempenho de deputados federais e senadores é ruim ou péssimo. Já 15% consideram a atuação do Congresso boa ou ótima, enquanto 43% classificam como regular.
Os índices representam piora em relação a dezembro do ano passado e estabilidade na comparação com o levantamento realizado no início de março. Na ocasião, 39% avaliavam o Congresso como ruim ou péssimo, 14% o consideravam ótimo ou bom e 42% o classificavam como regular.
A percepção negativa sobre Câmara e Senado aparece de forma semelhante entre eleitores petistas e bolsonaristas. Entre os que se identificam com o bolsonarismo, 15% avaliam o trabalho parlamentar como bom ou ótimo, 43% como regular e 37% como ruim ou péssimo. Já entre os petistas, os percentuais são de 17%, 40% e 37%, respectivamente.
Nos recortes sociais, a avaliação positiva do Congresso chega a 21% entre empresários e pessoas com ensino fundamental completo. Já a avaliação negativa alcança 47% entre servidores públicos, 43% entre pessoas com mais de 60 anos, 34% entre mulheres e 31% entre evangélicos.

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