BANCO CENTRAL

CCJ deve adiar análise da PEC que amplia autonomia do Banco Central

Proposta que transforma o BC em instituição de natureza especial enfrenta resistência da equipe econômica e pode ter pedido de vista coletivo nesta quarta-feira (20/5)

A PEC prevê que o BC deixaria de funcionar como autarquia vinculada à administração pública federal e passaria a atuar sem subordinação a ministérios. -  (crédito: Reprodução/Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
A PEC prevê que o BC deixaria de funcionar como autarquia vinculada à administração pública federal e passaria a atuar sem subordinação a ministérios. - (crédito: Reprodução/Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve enfrentar impasse nesta quarta-feira (20/5) durante a análise da PEC 65/2023, proposta que amplia a autonomia do Banco Central. Embora o texto seja o principal item da pauta do colegiado, senadores já trabalham com a possibilidade de um pedido de vista coletivo, o que adiaria a votação e ampliaria o prazo para negociações políticas.

A proposta transforma o Banco Central em uma instituição de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa, financeira e orçamentária. Na prática, o órgão deixaria de funcionar como autarquia vinculada à administração pública federal e passaria a atuar sem subordinação a ministérios, ampliando a independência já prevista na legislação atual.

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Hoje, o BC possui autonomia operacional, com mandatos fixos para o presidente e diretores. A PEC, porém, vai além e garante orçamento próprio, além de maior liberdade para gestão de despesas, estrutura e contratação de pessoal, reduzindo a dependência do Tesouro Nacional.

Dentro do governo federal, a proposta enfrenta resistência. Integrantes da equipe econômica avaliam que a medida pode abrir precedente para que outras autarquias, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), passem a reivindicar autonomia financeira semelhante. A articulação da Fazenda tem sido concentrada junto à base governista no Senado para tentar frear o avanço da matéria na comissão.

O presidente da CCJ, Otto Alencar, é defensor da proposta e argumenta que a mudança fortaleceria mecanismos de proteção ao Pix ao inserir o sistema de pagamentos na estrutura constitucional do Banco Central. Já o relator da PEC, Plínio Valério, sustenta que o BC opera atualmente com limitações orçamentárias incompatíveis com o tamanho de suas atribuições no sistema financeiro.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também intensificou nas últimas semanas a defesa da proposta. Em debates no Senado, Galípolo afirmou que a autoridade monetária enfrenta restrições de orçamento, pessoal e estrutura para exercer atividades de supervisão financeira.

A atuação do BC em favor da PEC, entretanto, gerou desconforto dentro da equipe econômica, que tenta repetir a estratégia adotada em gestões anteriores para evitar o avanço do texto no Congresso.

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postado em 20/05/2026 09:48 / atualizado em 20/05/2026 09:49
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