TERRAS RARAS

Lula diz que Brasil trata minerais como questão de soberania

Em entrevista, presidente afirmou que o interesse dos Estados Unidos e da Europa pelos minerais críticos brasileiros exige cautela, e disse que conversou com Donald Trump sobre o tema

"Quem quiser vir para o Brasil discutir conosco, fazer a prospecção, e quem quiser fazer o processo de industrialização aqui no Brasil, nós estaremos dispostos a conversar", afirmou Lula - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (22/5), que o interesse internacional — especialmente dos Estados Unidos — pelas terras raras brasileiras deve ser tratado como tema de “segurança nacional”, e indicou que o país não permitirá a simples exportação de matéria-prima sem industrialização local.

Durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula disse que o governo criou um conselho ligado diretamente à Presidência da República para coordenar a política sobre minerais críticos.

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A fala ocorreu ao comentar o crescente interesse americano nas reservas brasileiras de terras raras, grupo de 17 elementos químicos considerados estratégicos para setores de alta tecnologia, transição energética, defesa e indústria de semicondutores. O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida do mundo, atrás apenas da China.

Segundo Lula, o país ainda conhece apenas 30% do próprio território em termos de potencial mineral, o que reforça a necessidade de ampliar pesquisas e prospecção. “Nós estamos tratando isso como uma questão de segurança nacional, é uma coisa de Estado, é soberania nacional”, afirmou.

O presidente disse que o governo não pretende repetir o modelo adotado historicamente com o minério de ferro, baseado na exportação de commodities sem agregação de valor. “Nós não vamos mais fazer com os minerais críticos e com as terras raras o que foi feito com o minério de ferro. Vai cavando e vai vendendo. Não. Nós queremos que o processo de transformação seja feito aqui no Brasil”, declarou.

Lula afirmou que não há restrições a investimentos estrangeiros, sejam americanos, chineses, russos, franceses ou de outros países, desde que haja compromisso com pesquisa, exploração e industrialização no território nacional. “Quem quiser vir para o Brasil discutir conosco, fazer a prospecção, e quem quiser fazer o processo de industrialização aqui no Brasil, nós estaremos dispostos a conversar com todo mundo”, disse.

Trump e o interesse americano

Ao ser questionado sobre o interesse dos Estados Unidos nas terras raras brasileiras, Lula reconheceu que o tema desperta atenção global e afirmou que Donald Trump “vai entender” as condições brasileiras para exploração dos recursos. “O presidente Trump entendeu isso? Ele, se não entendeu, vai entender”, afirmou o presidente, acrescentando que tem conversado com o republicano por telefone.

Lula disse ainda que não apenas os Estados Unidos, mas também a Europa e outros países acompanham o potencial mineral brasileiro. “Todo mundo quer, porque é o futuro”, declarou. Para ele, a exploração precisa ser conduzida com cautela para evitar que interesses privados prevaleçam sobre o patrimônio nacional.

“Isso é patrimônio do povo brasileiro”, afirmou. O presidente defendeu a criação de um fundo social com recursos obtidos da exploração das terras raras, em modelo semelhante ao pensado para as receitas do petróleo, como forma de distribuir benefícios econômicos à população.

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postado em 22/05/2026 18:01
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