Regulamentação

Lula defende controle mais rígido das bets: "Jogar é uma doença"

Em entrevista, presidente afirmou que o vício em apostas preocupa o governo, criticou o impacto das plataformas nas periferias e prometeu discutir restrições à publicidade do setor

"Eu proibiria todas. Mas não depende de mim. Eu não sou dono do Brasil", disse Lula sobre as bets - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (22/5), que pretende endurecer o controle sobre as plataformas de apostas esportivas, e classificou o vício em jogos como uma “doença”.

Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula disse ser favorável ao encerramento das bets que, segundo ele, “não estão prestando nenhum serviço de utilidade” ao país, e indicou que o governo estuda novas medidas regulatórias até o fim do ano.

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Ao ser questionado sobre o fato de ter sancionado, em 2023, a regulamentação das apostas esportivas, mesmo já tendo declarado oposição pessoal ao setor, o presidente argumentou que a decisão foi condicionada ao funcionamento das instituições e ao cenário político no Congresso Nacional.

“Eu proibiria todas. Mas não depende de mim. Eu não sou dono do Brasil”, afirmou. Lula ressaltou que o Executivo precisa negociar com o Congresso, e lembrou a baixa representação do governo no Parlamento. “Eu só tenho 70 deputados em 513. Eu só tenho nove senadores em 81”, disse.

Segundo o presidente, um eventual veto presidencial à regulamentação das bets poderia ser derrubado pelos parlamentares. Lula argumentou ainda que parte do futebol brasileiro atualmente depende financeiramente de patrocínios do setor de apostas, mas defendeu uma diferenciação entre plataformas legalizadas e modalidades consideradas mais problemáticas.

“Você tem que saber qual é a bet, qual é que não feria (a lei), você pode deixar uma ou outra funcionando. Agora, o que você não pode deixar é o tigrinho da vida funcionar”, afirmou, em referência aos jogos de azar online.

Controle da publicidade

Lula também disse que pretende discutir regras mais rígidas para a publicidade das plataformas de apostas, hoje amplamente presente em emissoras de televisão, redes sociais e transmissões esportivas.

“Pretendo. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições”, afirmou o presidente, ao comparar possíveis restrições às já existentes para propaganda de cigarros, álcool e publicidade infantil.

Segundo ele, o governo criou uma secretaria especial no Ministério da Fazenda para acompanhar o setor e deve reforçar a estrutura de fiscalização até o fim do ano. “A gente vai pensar o que vai fazer disso”, declarou.

Lula também criticou o volume de recursos investidos pelas bets em propaganda e o poder de influência política do setor. “É sabido a quantidade de influência que eles têm no Congresso Nacional”, afirmou.

Ao comentar os impactos sociais das apostas online, Lula disse que o crescimento das bets afeta, especialmente, jovens de baixa renda e moradores das periferias. Para ele, o problema exige não apenas medidas restritivas, mas também ações educativas. “Jogar é uma doença. É o vício, gente. Você não tem noção do vício”, declarou.

O presidente afirmou que a promessa de dinheiro rápido ajuda a impulsionar o crescimento do setor, sobretudo entre jovens. “Todo mundo quer ganhar dinheiro fácil”, disse.

Lula comparou a dificuldade de controle das apostas online à permanência do jogo do bicho no país, apesar de ser considerado contravenção penal. Segundo ele, a digitalização agravou o problema ao levar os jogos para dentro das casas por meio dos celulares.

“O cassino agora foi para dentro da sala, do telefone da vovó, que o empresta para o neto, do telefone do papai, que o empresta para o filho”, afirmou. “Muitas vezes o filho joga escondido e as pessoas não sabem", acrescentou.

Ao final, o presidente reconheceu a complexidade do tema e afirmou que o desafio do governo será encontrar mecanismos de controle sem violar liberdades individuais. “Como é que você faz isso sem violentar as pessoas?”, questionou.

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postado em 22/05/2026 18:36
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