Eleições

PT aposta no militante digital

Partido de Lula reconhece a vantagem da direita nas redes sociais e corre para formar uma estrutura própria de divulgadores

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Com "influencers" e conteúdo próprios, PT busca nas redes sociais o mesmo engajamento que mostra nas ruas - (crédito: Divulgação/PT)

A cinco meses das eleições presidenciais, o Partido dos Trabalhadores (PT) admite que o bolsonarismo largou na frente na comunicação e na mobilização digitais, sobretudo, com o público jovem. No entendimento de interlocutores da legenda, a segunda década dos anos 2000 ilustra o início dessa perda de espaço: enquanto a sigla mantinha o foco em panfletos, rádio e TV, o eleitor migrava para o engajamento orgânico em grupos de Facebook e WhatsApp.

Nas famigeradas Jornadas de Junho de 2013, o hiato ficou evidente. O PT — que ocupava a Presidência com Dilma Rousseff — assistiu pela televisão aos protestos que tomavam as capitais, enquanto os manifestantes utilizavam as redes em tempo real para definir as pautas que seriam levantadas nas ruas.

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Daquela época, fortaleceram-se movimentos e nomes que hoje são pilares da direita nacional. Figuras como o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), o ex-vereador Fernando Holiday (PL) e o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro consolidaram relevância nacional ao dominar a dinâmica das redes muito antes de seus adversários.

Enquanto a direita se fortalecia, a comunicação digital petista permanecia na defensiva, centrada nas respostas à Operação Lava-Jato. Agora, a estratégia capitaneada pelo secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, busca inverter o jogo. O foco é gerar engajamento por meio de influenciadores e incentivar a militância a produzir conteúdos próprios em defesa de Lula.

Entre as frentes de mobilização, Valadares destacou o anúncio de 37 candidatos influenciadores e o lançamento do Petech, um programa de formação que ensina ferramentas digitais à base partidária. "O objetivo é ensinar estratégias para que os militantes saibam jogar no campo das redes sociais, entendendo que elas são ambientes de entretenimento, e não de política formal", explicou Éden, em entrevista ao Correio.

A ideia da reformulação do PT na comunicação digital é que seus correligionários criem redes para espalhar mensagens do partido. "A gente tem o 'Pode espalhar', que é um projeto nosso, do PT, de montagem de redes de WhatsApp da nossa militância. Você entra no site do PT, cadastra-se como participante do 'Pode espalhar' e passa a receber nossos conteúdos. A gente estimula que você monte grupos na sua comunidade, na sua escola, no seu bairro", explicou.

Além disso, o secretário do PT listou a criação do programa denominado "Porta-vozes do Lula", destinado a eleitores do petista não filiados à legenda. "É um convite a quem é eleitor do Lula para ser militante na vida real, para pedir voto no ambiente digital, defender Lula e a democracia também no ambiente digital. Tão importante quanto convencer seus familiares, seu vizinho ou seu colega de trabalho é você abrir a câmera, gravar o vídeo e botar na sua rede social esses argumentos", explicou.

Reviravolta

No tabuleiro eleitoral, a divulgação pelo site Intercept Brasil de um áudio que mostra Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro (R$ 134 milhões) ao dono do banco Master, Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, parece ter surtido efeito. A última pesquisa do Instituto Datafolha, publicada na sexta-feira, mostrou Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do parlamentar do PL, uma diferença de nove pontos percentuais.

Os resultados mostrados pelo Datafolha serviram como sinal para ampliar as ações de desgaste da imagem de Flávio Bolsonaro. Segundo interlocutores do governo, a estratégia contra o filho 01 será a de insistir no compartilhamento de reportagens da imprensa, reforçando a imagem de que o candidato do PL é um político inapropriado para comandar o país.

 

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postado em 25/05/2026 03:55
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