
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, evitou responder diretamente aos questionamentos sobre o caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem durante audiência realizada, nesta quarta-feira (27/5), na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Convocado para prestar esclarecimentos sobre a cooperação internacional envolvendo a prisão de Ramagem nos Estados Unidos, o ministro concentrou sua fala em aspectos técnicos da atuação da pasta da Justiça e da Polícia Federal.
Parlamentares da oposição cobraram explicações sobre a fuga de Ramagem para os EUA, a prisão do ex-deputado pelo serviço de imigração norte-americano e a posterior soltura. Também questionaram a ausência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma sessão anterior da comissão. Apesar das insistências, o ministro desconversou ao tratar do caso concreto.
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Durante a audiência, Wellington César afirmou que a prisão de Ramagem não ocorreu em razão da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas por questões migratórias ligadas à permanência irregular do ex-parlamentar em território norte-americano. Segundo ele, as informações detalhadas sobre o processo seguem sob responsabilidade das autoridades dos Estados Unidos.
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e deixou o Brasil rumo aos EUA antes do cumprimento da pena. Em abril deste ano, ele acabou detido pelo ICE, órgão responsável pelo controle migratório e de fronteiras norte-americano, mas foi liberado dias depois.
Outro ponto abordado pelos deputados foi a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos. O agente participou do monitoramento que levou à localização e à prisão de Ramagem. Ao comentar o episódio, o ministro leu uma nota oficial da PF, segundo a qual a atuação do delegado se restringiu ao compartilhamento de informações já públicas, incluindo o mandado de prisão expedido pelo STF.
Ao fim da sessão, deputados oposicionistas criticaram a falta de respostas objetivas do ministro. A audiência foi encerrada antes que todos os questionamentos fossem feitos. Após deixar a Câmara, Wellington César seguiu para Assunção, onde participa de reuniões com ministros da Justiça dos países do Mercosul para discutir acordos de cooperação internacional.

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