
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu nesta sexta-feira (29/5) às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em evento realizado em Curitiba, o parlamentar afirmou que a pré-candidatura presidencial é um “projeto de Deus” e disse que, em apenas dois dias de agenda internacional, obteve resultados que, segundo ele, o governo federal não alcançou em duas décadas.
“Em dois dias na campanha como pré-candidato nós já fizemos mais do que Lula em 20 anos”, declarou. “Enquanto Lula foi fazer lobby para defender CV e PCC, nós fomos lá pedir que eles fossem tratados como terroristas, como eles são", completou.
A fala ocorreu após Lula afirmar estar “muito triste” com a decisão anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Durante evento da Petrobras em Sergipe, o presidente argumentou que as facções já aterrorizam comunidades brasileiras, mas contestou a classificação adotada pelos Estados Unidos e afirmou que o combate aos grupos criminosos deve ser conduzido pelas autoridades nacionais.
Em resposta, Flávio acusou o presidente de minimizar o impacto das organizações criminosas sobre a população. “Ele falou para 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas pelo CV e pelo PCC que eles não merecem ter paz e oportunidades porque Lula está defendendo a soberania do CV e do PCC. Nós não vamos admitir isso porque amamos o nosso Brasil”, afirmou.
O evento em Curitiba reuniu nomes ligados à Operação Lava-Jato e ao campo conservador. Flávio dividiu o palco com o senador Sergio Moro (PL-PR) e com o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo), ambos cotados para disputar cargos eletivos em outubro. Também participou o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), que lançou a pré-candidatura ao Senado.
Ao comentar a decisão dos Estados Unidos, Moro ironizou a reação do presidente da República. “Alguém aqui ficou triste com isso? Somente o Lula”, disse, arrancando aplausos da plateia.
O senador paranaense elogiou a articulação de Flávio junto ao governo de Donald Trump e afirmou que a medida representa uma mudança na forma de enfrentamento ao crime organizado. “Queremos mandar um recado para o mundo do crime: as regras mudaram”, declarou.
Moro também lembrou que vive sob proteção após ter sido alvo de ameaças atribuídas a integrantes de facções criminosas e afirmou que Flávio poderá enfrentar reações semelhantes por ter defendido o enquadramento dos grupos como organizações terroristas. “Esse é o preço a pagar. Flávio agiu com coragem. Fez algo extraordinário. Bandido tem que ser tratado como bandido”, disse.
O encontro teve forte simbolismo político. Curitiba foi o principal centro da Operação Lava-Jato, investigação que impulsionou a ascensão da direita bolsonarista em 2018 e levou à condenação do presidente Lula, posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A agenda também marcou uma tentativa de reposicionamento da pré-campanha de Flávio Bolsonaro após semanas de desgaste provocadas pela divulgação de mensagens e áudios relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo interlocutores do PL ao Correio, a viagem aos Estados Unidos e o encontro com Donald Trump ajudaram a reduzir a pressão interna sobre a candidatura presidencial do senador.

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