sociedade

Caixa entra no combate à agressão às mulheres

Instituição lança o programa Juntos por Elas, que tornará agências e unidades culturais em pontos de orientação e acolhimento

A Caixa Econômica Federal lançou, ontem, o programa Juntos Por Elas — Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A proposta é atuar em espaços de grande circulação, como agências bancárias e unidades culturais da Caixa, transformando-as em pontos de orientação e acolhimento. Entre as medidas previstas, estão a ampliação do acesso à informação, campanhas de conscientização e encaminhamento de vítimas para serviços especializados, como atendimento psicossocial e assistência jurídica.

Numa primeira etapa, o programa será implantado por todas as unidades da Caixa Cultural e, inicialmente, nas agências de Sobradinho (DF), Cuiabá (MT) e Sinop (MT). As unidades contarão com funcionários e prestadores de serviços voluntários, que acolherão e esclarecerão mulheres em situação de violência. Também está previsto o funcionamento de canais internos de apoio, voltados para funcionárias da instituição ou qualquer empregado que precise de orientação.

presidente da Caixa, Carlos Vieira, formalizou acordos de cooperação técnica com os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Igualdade Racial e das Mulheres, além de um protocolo de intenções com o Instituto Antes que Aconteça. Ele chamou atenção para a mudança de comportamento dentro das instituições.

"É muito fácil pra gente fazer um evento desse. É muito fácil o presidente da instituição chegar, promover com todos os recursos, toda a abrangência, toda a capacidade, todo o tamanho, tudo que representa a Caixa, um evento desse. Mas sabe o que que é difícil? É convencer o colega que está agora dentro de uma agência da Caixa praticando atos que não sejam louváveis", afirmou.

Para Vieira, o enfrentamento da violência de gênero passa por uma mudança de postura. "Essa coragem que a gente precisa ter é a coragem de todos nós sairmos aqui e refletirmos sobre o que está acontecendo", disse.

 "Ninguém é mais o mesmo depois de passar por uma situação de violência. Mas temos o dever de transformar essa realidade", frisou a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, acrescentando que o combate à brutalidade de gênero exige mais do que indignação — requer ação concreta e compromisso coletivo.

A ministra observou que o momento vivido pelo país impõe uma escolha clara entre a inércia e a transformação. "O que nós fazemos com essa realidade tão cruel? Vamos continuar apenas assistindo ou vamos agir para modificá-la?", questionou.

Rachel também enfatizou o papel do governo federal no enfrentamento da violência contra as mulheres, citando o Pacto Nacional contra o Feminicídio. "Combater o feminicídio exige garantir segurança, justiça, saúde, assistência, renda e emprego. Não é algo simples. É uma reconstrução de vidas", afirmou.

 A coordenadora técnica do programa Antes que Aconteça, Nadja Oliveira, destacou que a violência doméstica é um fenômeno histórico, enraizado em uma cultura marcada pelo "machismo e pelo patriarcado". "Os países que conseguiram reduzir esses índices investiram em educação, capacitação e autonomia financeira das mulheres", advertiu.

Dados apresentados por Nadja mostram que, no Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada quatro horas, considerando apenas os casos oficialmente registrados. Diariamente, cerca de 900 mulheres buscam atendimento em unidades de saúde devido a agressões físicas decorrentes de violência doméstica. Há ainda um número significativo de vítimas afastadas do mercado de trabalho por problemas de saúde mental associados às agressões.

Para Nadja, a independência econômica é um dos fatores decisivos para romper o ciclo da violência. "Não há como quebrar esse ciclo sem garantir condições de trabalho seguras e renda. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por falta de alternativas", observou. Ela lembrou que aproximadamente 40 milhões de lares brasileiros são sustentados por mulheres, muitas delas chefes de família solo.

 

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