Operação da PF

PF mira dono do Grupo Refit em operação que atinge Cláudio Castro

Empresário Ricardo Magro é investigado por esquema bilionário de sonegação fiscal. Alvo de buscas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, ele vive atualmente nos EUA

O empresário e ex-advogado Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit, foi alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (15/5), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação também teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), dentro das investigações sobre um suposto esquema de sonegação fiscal e favorecimento envolvendo o conglomerado do setor de combustíveis.

Ao todo, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de cargos públicos no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. Além das diligências, o STF determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados ao Grupo Refit e a suspensão das atividades econômicas da empresa.

Segundo investigadores, a operação é um desdobramento das apurações sobre o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior devedor de impostos do país. O órgão estima que o conglomerado tenha acumulado mais de R$ 26 bilhões em débitos tributários. As investigações ganharam força após a Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que apurava a infiltração do PCC no setor de combustíveis e fraudes fiscais.

As suspeitas também envolvem benefícios concedidos pelo governo fluminense à antiga Refinaria de Manguinhos, rebatizada como Grupo Refit. Em 2023, durante a gestão de Cláudio Castro, a empresa recebeu incentivos fiscais voltados à ampliação da atuação no mercado de óleo diesel. A decisão de Moraes foi tomada no âmbito da ADPF das Favelas, ação em tramitação no STF desde 2019 que discute a atuação policial no Rio de Janeiro.

Interpol

A investigação alcançou repercussão internacional após Moraes determinar a inclusão do nome de Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol. Caso o pedido seja aceito pela organização internacional, o empresário poderá ser localizado e preso em qualquer um dos 196 países integrantes da rede de cooperação policial.

Ricardo Magro vive em Miami, nos Estados Unidos, desde a década passada. Ele ganhou notoriedade nacional em 2008, quando adquiriu a Refinaria de Manguinhos. Desde então, passou a figurar em diferentes investigações envolvendo suspeitas de fraudes tributárias, uso de offshores em paraísos fiscais e suposta compra de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de São Paulo.

O empresário também já foi preso anteriormente. Em 2016, Magro foi detido sob suspeita de envolvimento em irregularidades que teriam causado prejuízos ao fundo de pensão Postalis. Procurada, a defesa do empresário ainda não se manifestou sobre a operação desta sexta-feira.

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