O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou como foi a conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada no dia 8 de maio, na Casa Branca, nos EUA. Segundo o líder brasileiro, parte da estratégia utilizada para desenrolar a conversa com Trump foi o bom humor.
"Se eu consegui fazer o Trump rir, posso conseguir outras coisas também. Você não pode simplesmente desistir. (...) "Você não sabe sorrir? Só durante a eleição. Agora que você está governando, você pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando sorrimos", disse Lula, em entrevista ao jornal Washington Post, publicada neste domingo (17/5).
Após 'arrancar' sorrisos de Trump, o presidente brasileiro contou à reportagem que enfatizou a soberania brasileira diante dos assuntos discutidos na reunião. "O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que eu sou o presidente democraticamente eleito aqui", disse.
Entre os assuntos discutidos, Lula e Trump falaram de temas a chegada e a consolidação da China como principal comprador de produtos brasileiros e os conflitos no Irã e na Palestina.
Na conversa sobre os contextos no Irã e na Palestina, Lula destacou o diálogo com Trump em meio ao fato de o presidente dos Estados Unidos discordar do líder brasileiro. "Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina. Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem em meu relacionamento com ele como chefe de Estado", disse.
Já em relação à China Lula disse à reportagem que os Estados Unidos têm potencial para alcançar a posição da China como principal parceiro comercial do Brasil. "Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil. Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila, ótimo. Mas eles têm que querer", pontuou.
Mudanças em relação a Bolsonaro
O posicionamento de Lula na relação com Trump, observou a reportagem do Post, passou por uma "mudança drástica" em comparação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que enquanto esteve no Planalto (2019 - 2022), chegou a declarar seu amor para Trump.
"Eu nunca pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele. Eu não preciso fazer nenhum esforço para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele (Trump) já sabe disso", afirmou Lula, na entrevista ao jornal norte-americano.
