Na mitologia grega, os deuses castigaram Cassandra, fazendo com que ninguém acreditasse em suas profecias, embora fossem retrato do que realmente aconteceria. Ela ficou como símbolo da profecia acertada, mas trágica — e por isso não acreditam. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acaba de profetizar que "a crise do Master está escalando e vai escalar cada vez mais". Já está no topo do Judiciário e, agora, anunciada por esse Renan Cassandra, no topo da Câmara, num caso que parece conduzir ao topo do Executivo.
Renan Cassandra denunciou que o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) enxertou num projeto de lei de crédito de carbono um favor ao Master, fazendo com que os fundos de previdência aportassem um percentual no Master. O projeto, diferentemente da emenda não aprovada do senador Ciro Nogueira (PP-PI), passou pela Câmara e pelo Senado, e foi sancionado. Ao mesmo tempo, conta Renan, a cunhada de Motta recebeu um empréstimo de R$ 140 milhões do Master, que não precisou pagar. Maior que os R$ 129 milhões. Nota de Motta diz que é para créditos de carbono e que não responde por empréstimo tomado por outra pessoa (a cunhada). No vídeo em que denuncia o negócio, Renan Cassandra parece pausar as sílabas ao pronunciar a palavra sancionado. Fiquei curioso por que. E fui saber em que data a lei foi assinada pelo presidente da República.
Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que beneficia o Master, com a emenda de Motta, em 11 de dezembro de 2024. Sete dias depois de ter recebido de modo oculto, sem estar na agenda, Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto, numa reunião de hora e meia. Vorcaro fora trazido pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. Lula chamou para a reunião o já indicado presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Também na reunião, personagens do Credcesta, da Bahia — o ex-governador e então ministro da Casa Civil Rui Costa e o ex-CEO do Master, Augusto Lima.
Vorcaro argumentou a Lula que era um perseguido pelos grandes bancos, pedindo apoio contra a concentração do sistema bancário. Consultou se poderia vender o Master para o BTG e Lula aconselhou que não. Depois veio um banco estatal e a desgraça do BRB. Vorcaro saiu satisfeito. Contou à namorada que a reunião fora ótima. Sete dias depois, Lula sancionava a lei com a emenda de Motta e fundos de previdência de estados e municípios eram predados em aplicações no Master.
As relações com o Master, nos Três Poderes, têm cheiro de concussão, que é quando alguém, em razão do cargo, tem vantagem, direta ou indireta, para si ou para outra pessoa. Código Penal, artigo 316, com pena de até 12 anos. Ontem, no Senado, Galípolo lembrou a todos nós que chama atenção é o que Vorcaro fez com o dinheiro. E com quem: vaticina Renan Cassandra que a crise do Master vai escalar cada vez mais.
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