Durante a abertura do seminário Seta Debate, nesta quarta-feira (20/5), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nunes Marques destacou os desafios de um período eleitoral que caminha com o avanço da Inteligência Artificial (IA), com os deepfakes, os ataques ao sistema eleitoral e uma onda de desinformação. É o primeiro evento público de Nunes Marques como presidente do tribunal.
Apesar de apresentar suas inquietações, o magistrado afirma estar seguro com o trabalho do TSE.
“Conforta-me muito saber, agora de forma mais aprofundada, que o TSE vem trabalhando continuamente, diariamente, para enfrentar as eventualidades destas eleições. Nossa equipe técnica tem se dedicado intensamente. Acredito que estamos no caminho seguro para garantir eleições harmônicas, com civilidade no ambiente democrático e também mais responsabilidade nas redes sociais e no ambiente virtual”, diz.
De acordo com Marques, o digital tem, cada vez mais, o poder de influenciar a formação da vontade popular, quando o eleitor passa a ser interpretado como um “conjunto de dados, preferências resumidas e probabilidades de reação”.
Para além das críticas, o ministro afirmou que a tecnologia não deve ser vista como uma inimiga da democracia, porém deve ser submetida aos controle público, à auditoria e à segurança. “A Justiça Eleitoral brasileira é prova histórica de que a inovação, quando submetida ao controle público, à auditoria, à segurança, à transparência e à responsabilidade institucional, pode fortalecer a confiança social. O problema não está na existência da inteligência artificial, mas no seu uso opaco, fraudulento, discriminatório ou manipulativo”, ressalta.
“Nossa área de tecnologia está se dedicando muito e acredito que estamos em um caminho seguro para termos eleições não apenas harmônicas em relação à civilidade no Brasil, mas também para buscarmos mais civilidade nas redes sociais e no ambiente virtual”, acrescenta o ministro.
A solução viável e ideal apontada por Nunes Marques seria a aproximação da Justiça eleitoral, especialistas e acadêmicos com a sociedade brasileira: “O diálogo será fundamental para o aprimoramento contínuo do processo eleitoral brasileiro”.
