LITERATURA

Sarney lança coletânea de romances em cerimônia no Congresso

Aos 96 anos, o ex-chefe do Executivo relançou três dos seus livros, celebrou a literatura e acenou à nova geração de leitores

O ex-presidente da República e escritor José Sarney realizou nesta quarta-feira (20/5), no Salão Negro do Congresso Nacional, o lançamento de sua coletânea de livros de ficção, ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Aos 96 anos de idade, Sarney discursou na abertura do evento e destacou seu apreço pela literatura, cultivado desde a infância. Segundo o ex-presidente, o livro sempre foi seu melhor amigo e esteve ao seu lado durante toda a vida. "Quando dizem que a internet vai acabar com os livros, eu fico muito entristecido", afirmou.

A coletânea reúne novas edições de três obras do membro da Academia Brasileira de Letras (ABL): O Dono do Mar, A Duquesa Vale uma Missa e Saraminda.

O Dono do Mar é um romance de fantasia que narra o cotidiano dos pescadores maranhenses, fazendo uma ligação entre o folclore brasileiro e a memória. Já A Duquesa Vale uma Missa dialoga com a experiência política de Sarney e conta uma história de loucura e paixão, na qual o protagonista se apaixona por uma obra de arte. Saraminda, por sua vez, é um romance ambientado nos garimpos do Amapá e da Guiana Francesa.

Entre os convidados e autoridades presentes estavam o ex-ministro da Educação no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristovam Buarque; o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski; e o ex-governador do Distrito Federal e empresário Paulo Octávio. Durante o discurso, Sarney também falou sobre os dois lados de sua vida — o pessoal e o político — sendo este último o que considera uma "vocação de vida".

Ao subir ao púlpito, Hugo Motta homenageou a trajetória política do escritor e destacou seu olhar voltado "para além de suas próprias vivências". Motta afirmou que o evento foi realizado para celebrar não o Sarney político, mas o Sarney escritor.

O deputado fez um paralelo, ainda, entre as duas vocações, e disse que tanto escritores quanto políticos precisam "imaginar caminhos" para o país.

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre iniciou sua fala fazendo um aceno ao colega de Legislativo Hugo Motta: "Sei que tem sido uma semana muito cheia. Obrigado por estar aqui apesar das agendas".

"A trajetória de Vossa Excelência, como intelectual e homem público, sempre foi marcada pelo talento. (…) Os romances que hoje estão nas mãos dos leitores estão entre as obras mais importantes da literatura brasileira. São livros que revelam não apenas o talento do escritor José Sarney, mas também sua profunda conexão com o Brasil", discursou Alcolumbre.

Alcolumbre citou ainda que o ex-presidente, que também chefiou o Senado, tem "uma das biografias mais marcantes" da história brasileira.

Nova geração

Em entrevista ao Correio, durante o evento, José Sarney afirmou que os livros escolhidos para a nova edição abriram as portas para seu ingresso na ABL. O ex-presidente entrou para a Academia em 1980, ocupando a Cadeira de número 38, cujo patrono é o filósofo, jurista e poeta Tobias Barreto.

No seu depoimento, Sarney destacou as duas vertentes de sua vida, o político e o escritor. "As novas gerações não conhecem quando a gente publicou esses livros, que foram recebidos, àquela época, com grande elogio. E, ao mesmo tempo, me levaram à Academia Brasileira de Letras. Eles são apenas três romances, dos alguns que eu escrevi", comentou o ex-presidente.

"Eu publiquei mais de 120 livros, traduzidos em várias línguas e com boa recepção da crítica. Portanto, acho que, ao republicá-los agora, as novas gerações têm a oportunidade de ler o que escrevemos. Todo escritor gosta de ser lido. As velhas gerações já me conhecem; eu preciso que as novas gerações me conheçam", concluiu Sarney.

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