O diretor de Relações Públicas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Jefferson Macedo, defendeu nesta terça-feira (26/5) que a discussão sobre a escala 6x1 vá além da redução da jornada semanal e considere mudanças estruturais no mercado de trabalho brasileiro. A declaração foi feita durante o CB Debate “Escala 6x1: em busca do equilíbrio na jornada de trabalho”, promovido pelo Correio Braziliense, com apoio do Sistema Indústria (CNI/Sesi/Senai/IEL) e da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Para o dirigente, a revisão das regras trabalhistas precisa levar em conta impactos futuros sobre empresas e geração de empregos. Durante sua participação no evento do Correio, Macedo afirmou que o setor produtivo já vive mudanças internas na organização das jornadas. Segundo ele, empresas do varejo têm adotado modelos diferentes do formato tradicional, com escalas como 5x2, 3x4 e outras combinações permitidas atualmente pela legislação.
“A discussão é muito mais ampla e não vai apenas procurar corrigir uma distorção. Existe todo um pensamento estruturado que precisa ser trabalhado para que essas decisões tenham efetividade no futuro”, enfatizou. O representante da Abras disse ainda que as normas atuais criam limitações para formatos mais flexíveis capazes de atender interesses de empregados e empregadores.
Deficit de profissionais
Jefferson Macedo também chamou atenção para a dificuldade enfrentada por diferentes setores econômicos na contratação de trabalhadores. Segundo ele, apenas o segmento supermercadista possui cerca de 600 mil vagas abertas sem preenchimento. O diretor citou ainda dados ligados às áreas de transporte e tecnologia, que também enfrentam deficit de profissionais. “Existem mais de 100 mil vagas em tecnologia que não estão sendo ocupadas”, declarou. Para ele, a mudança da escala de trabalho, sozinha, não resolve problemas relacionados à empregabilidade e ao interesse da população em determinadas funções.
Outro ponto abordado pelo representante da Abras foi o avanço da informalidade no país. Durante o debate, Macedo questionou se a legislação atual consegue alcançar trabalhadores que atuam fora do regime formal, como entregadores por aplicativo e profissionais autônomos. “Qual legislação protege essas pessoas hoje? Por que metade da força de trabalho brasileira está na informalidade?”, perguntou. Segundo ele, milhões de brasileiros seguem fora do sistema tradicional de contratação, mesmo diante da existência de vagas disponíveis em diferentes segmentos econômicos.
O diretor apontou que a discussão sobre a escala 6x1 precisa envolver trabalhadores, empresários e representantes de diferentes setores antes da definição de mudanças permanentes. Segundo ele, as decisões tomadas agora terão impacto direto nas próximas gerações e no funcionamento da economia brasileira. “Esse tema precisa ser melhor trabalhado para que a gente construa algo que perdure positivamente para o trabalhador e para os negócios brasileiros”, concluiu.
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro
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