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"A história se repete", diz professor de direito sobre redução da jornada 6x1

César dos Santos lembrou que "chegamos à nossa CLT em 1943, estabelecendo uma jornada de 48 horas após muita luta e um intenso debate entre o capital e o trabalho". "Passaram-se quase 40 anos para que a Constituição de 1988 discutisse novamente essa situação", afirmou

O professor de direito da Universidade Católica de Brasília César Alexandre Marinho dos Santos
 -  (crédito: Ed Alves CB/DA Press.)
O professor de direito da Universidade Católica de Brasília César Alexandre Marinho dos Santos - (crédito: Ed Alves CB/DA Press.)

O professor de direito da Universidade Católica de Brasília César Alexandre Marinho dos Santos destacou alguns aspectos históricos da jornada de trabalho durante participação, nesta terça-feira (26/5), no primeiro painel do CB Debate “Escala 6x1: em busca do equilíbrio na jornada de trabalho”. 

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O especialista em direito do trabalho lembrou que as longas jornadas surgiram a partir do desenvolvimento do capitalismo e da industrialização intensa, com períodos realmente extenuantes de 15 a 16 horas diárias. A Constituição do México de 1917, por exemplo, estabeleceu jornadas menores e a Constituição alemã de Weimar, em 1919, também diminuiu essas jornadas. 

“Chegamos à nossa CLT em 1943, estabelecendo uma jornada de 48 horas após muita luta e um intenso debate entre o capital e o trabalho. Passaram-se quase 40 anos para que a Constituição de 1988 discutisse novamente essa situação, abordando questões de produtividade e a manutenção ou redução salarial. Trata-se de um momento cíclico, em que a história se repete”, enfatizou. 

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De acordo com César dos Santos, embora pareça ser um direito pequeno ao trabalhador é muito importante a desconexão do trabalho. Ele ressaltou ainda que, em algum momento, essa diminuição de jornada poderá trazer benefícios ao setor produtivo, como turismo, centros comerciais e comércio, pois o trabalhador terá mais condições de consumir nesses locais.

O professor apontou, porém, que pode haver um prejuízo econômico para a força econômica das micro e pequenas empresas, que podem ter que realizar novas contratações para suprir o período de fornecimento de serviços ou produção. Segundo o painelista, entretanto, isso pode ser visto como uma oportunidade para aumentar o número de postos de trabalho.

“O país possui uma quantidade intensa de desempregados, pouco mais de 6 milhões, além de quase 3 milhões de desalentados, que são aqueles que sequer procuram trabalho atualmente. A redução da jornada poderia ampliar o espaço de trabalho, utilizando inclusive a formulação trazida pela reforma trabalhista de 2017 sobre o trabalho intermitente. Embora essa modalidade ainda não pareça totalmente amadurecida, é possível que ela seja utilizada pelos empregadores como uma forma de flexibilização”, comentou. 

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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CY
postado em 26/05/2026 15:39 / atualizado em 26/05/2026 15:40
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