O professor de direito da Universidade Católica de Brasília César Alexandre Marinho dos Santos destacou alguns aspectos históricos da jornada de trabalho durante participação, nesta terça-feira (26/5), no primeiro painel do CB Debate “Escala 6x1: em busca do equilíbrio na jornada de trabalho”.
O especialista em direito do trabalho lembrou que as longas jornadas surgiram a partir do desenvolvimento do capitalismo e da industrialização intensa, com períodos realmente extenuantes de 15 a 16 horas diárias. A Constituição do México de 1917, por exemplo, estabeleceu jornadas menores e a Constituição alemã de Weimar, em 1919, também diminuiu essas jornadas.
“Chegamos à nossa CLT em 1943, estabelecendo uma jornada de 48 horas após muita luta e um intenso debate entre o capital e o trabalho. Passaram-se quase 40 anos para que a Constituição de 1988 discutisse novamente essa situação, abordando questões de produtividade e a manutenção ou redução salarial. Trata-se de um momento cíclico, em que a história se repete”, enfatizou.
De acordo com César dos Santos, embora pareça ser um direito pequeno ao trabalhador é muito importante a desconexão do trabalho. Ele ressaltou ainda que, em algum momento, essa diminuição de jornada poderá trazer benefícios ao setor produtivo, como turismo, centros comerciais e comércio, pois o trabalhador terá mais condições de consumir nesses locais.
O professor apontou, porém, que pode haver um prejuízo econômico para a força econômica das micro e pequenas empresas, que podem ter que realizar novas contratações para suprir o período de fornecimento de serviços ou produção. Segundo o painelista, entretanto, isso pode ser visto como uma oportunidade para aumentar o número de postos de trabalho.
“O país possui uma quantidade intensa de desempregados, pouco mais de 6 milhões, além de quase 3 milhões de desalentados, que são aqueles que sequer procuram trabalho atualmente. A redução da jornada poderia ampliar o espaço de trabalho, utilizando inclusive a formulação trazida pela reforma trabalhista de 2017 sobre o trabalho intermitente. Embora essa modalidade ainda não pareça totalmente amadurecida, é possível que ela seja utilizada pelos empregadores como uma forma de flexibilização”, comentou.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro
Saiba Mais
-
Política Valdemar recua após fala sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
-
Política CAE aprova convocação do presidente do BRB para prestar esclarecimentos no Senado
-
Política Lula promete "maior cuidado ambiental do mundo" em obras da BR-319
-
Política Fim da 6x1 deve considerar realidade do pequeno negócio, diz Sebrae
-
Política "Oportunidade histórica", diz procuradora sobre o fim da 6x1
-
Política Brasil não avança pois pessoas "sem compromisso" são eleitas, diz Lula
