INVESTIGAÇÃO

"Altura do vão é 2,45m": a mensagem cifrada sobre apartamento a Jaques Wagner

Investigadores relacionam mensagem a apartamento alvo de apuração envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner

Investigadores relacionam mensagem a apartamento alvo de apuração envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner -  (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Investigadores relacionam mensagem a apartamento alvo de apuração envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner - (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A Polícia Federal (PF) vê indícios de que uma mensagem aparentemente banal foi utilizada para tratar de forma reservada da negociação de um apartamento de luxo em Salvador, que está no centro das apurações envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líderdo PT no Senado. O diálogo ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como “Tio Guiga”.

Para os investigadores, ambos desempenhavam papéis relevantes nas tratativas relacionadas ao imóvel localizado no condomínio Poème Horto. Monteiro é apontado como responsável por questões jurídicas e financeiras ligadas ao grupo investigado na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, enquanto Guilherme é descrito como integrante do círculo de confiança do parlamentar.

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Em uma conversa analisada pela PF, Monteiro escreveu: “A altura do vão é 2,45m”. A resposta veio em seguida: “Perfeito”. Na avaliação dos investigadores, a referência à medida não fazia sentido no contexto de uma discussão técnica. A suspeita é que o número representasse, na verdade, o valor atribuído ao apartamento: R$ 2,45 milhões.

A interpretação faz parte de um conjunto mais amplo de elementos reunidos pela investigação. Segundo os autos, os envolvidos evitavam registrar detalhes sensíveis por escrito e priorizavam contatos por ligação, encontros presenciais e outras formas de comunicação consideradas mais difíceis de monitorar.

As apurações apontam que o apartamento passou a integrar as tratativas após Jaques Wagner encaminhar a Augusto Ferreira Lima informações sobre o empreendimento, incluindo dados do corretor responsável pela venda e da unidade nº 1702.

A partir desse contato, Augusto Ferreira Lima teria acionado Valério Marega Júnior, conhecido como “Valério Fundos”, para viabilizar a aquisição da unidade. A PF sustenta que a operação contou ainda com a participação dos irmãos Daniel e David Lopes Monteiro, que teriam auxiliado na operacionalização da compra.

Segundo a representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a aquisição foi formalizada pela empresa Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos provenientes de estruturas de fundos vinculadas ao grupo econômico investigado.

Para os investigadores, a forma como a operação foi estruturada é compatível com uma tentativa de ocultar o beneficiário final do imóvel. Essa hipótese integra um dos principais eixos da investigação sobre a transação.

A decisão do ministro André Mendonça destaca que as movimentações relacionadas ao apartamento não cessaram após a primeira etapa da Operação Compliance Zero. Pelo contrário, teriam prosseguido por diferentes canais, incluindo reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e a troca de minutas contratuais voltadas à reorganização da situação jurídica da propriedade.

A PF atribui a Daniel Lopes Monteiro a elaboração de documentos e o suporte jurídico relacionado ao imóvel. Já Guilherme Sodré teria atuado como interlocutor entre pessoas próximas ao senador e representantes do grupo empresarial investigado. 

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postado em 18/06/2026 17:13
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