Congresso

Sucessão de Jaques Wagner mobiliza Planalto em meio à crise com Alcolumbre

Teresa Leitão, Camilo Santana, Rogério Carvalho e Otto Alencar aparecem entre os nomes cotados para assumir a liderança do governo no Senado após a saída do senador baiano

Nos bastidores, interlocutores do Planalto destacam a boa interlocução de Teresa Leitão tanto com Lula quanto com Alcolumbre -  (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Nos bastidores, interlocutores do Planalto destacam a boa interlocução de Teresa Leitão tanto com Lula quanto com Alcolumbre - (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A decisão do senador Jaques Wagner (PT-BA) de deixar a liderança do governo no Senado abriu uma disputa nos bastidores do Palácio do Planalto sobre quem assumirá a principal função de articulação política da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa. A escolha ocorre em um momento delicado para o governo, marcado pelo desgaste provocado pelas investigações envolvendo o Banco Master, pela relação conturbada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pela necessidade de avançar pautas prioritárias antes do recesso parlamentar.

Entre os nomes mais citados está a senadora Teresa Leitão (PT-PE), atual líder da bancada petista no Senado. Parlamentares próximos ao governo avaliam que ela reúne condições favoráveis para assumir o posto por possuir ampla trajetória no partido e por não enfrentar pressões eleitorais imediatas, já que seu mandato vai até 2031. Nos bastidores, interlocutores do Planalto também destacam a boa interlocução da senadora tanto com Lula quanto com Alcolumbre.

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Outro nome lembrado é o do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE). O senador está na metade do mandato e, em tese, teria disponibilidade para exercer a função sem a preocupação de uma disputa eleitoral neste ano. No entanto, aliados apontam que a conjuntura política do Ceará pode dificultar sua indicação. Camilo deixou o Ministério da Educação para atuar na campanha à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), em uma disputa que deve ter como adversário o ex-governador Ciro Gomes (PSDB).

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) também aparece entre os favoritos. Ele chegou a exercer a liderança do governo interinamente durante um período de afastamento de Jaques Wagner no ano passado, experiência que lhe garantiu reconhecimento dentro do governo. Apesar disso, pessoas próximas ao parlamentar afirmam que ele pretende concentrar esforços em sua campanha à reeleição para o Senado, o que pode reduzir suas chances de assumir a função neste momento.

Fora do PT, o nome do senador Otto Alencar (PSD-BA) chegou a ser mencionado nas conversas sobre a sucessão. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele é considerado peça importante para a tramitação de projetos de interesse do governo. Por isso, a avaliação predominante entre aliados é que sua permanência no comando da comissão seria mais estratégica para o Planalto do que uma eventual mudança para a liderança governista. A tendência, segundo interlocutores, é que a vaga permaneça com um senador petista.

Jaques Wagner

A saída de Jaques Wagner foi definida após uma reunião com Lula no Palácio da Alvorada. Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo com o presidente e que sua prioridade será concentrar-se na própria defesa e nas articulações eleitorais para 2026.

O afastamento ocorre dias após o parlamentar ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master. Durante as buscas, agentes apreenderam valores em dólares e euros, além de relógios de luxo. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que trabalhará para comprovar sua inocência.

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postado em 25/06/2026 09:54 / atualizado em 25/06/2026 09:54
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