Eleições 2026

Lula quer destravar palanque em MG, mas favorita ao governo resiste

Após presidente definir que o PT terá chapa própria no estado, Marília Campos, principal cotada, afirmou que a decisão é um "equívoco estratégico"

Integrantes da base governista esperam que Lula consiga convencer Marília Campos a disputar o governo mineiro -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Integrantes da base governista esperam que Lula consiga convencer Marília Campos a disputar o governo mineiro - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se movimentou, nesta semana, para acelerar a definição da chapa governista em Minas Gerais. Após uma reunião no Palácio da Alvorada, ontem (24/6), bateu o martelo que o PT terá candidatura própria no estado, em vez de compor com outras legendas.

A favorita para concorrer ao governo mineiro, porém, resiste. Ex-prefeita de Contagem, Marília Campos declarou, hoje (25), que a chapa com cabeça petista é um "equívoco estratégico", e reforçou que pretende concorrer ao Senado, e não ao Palácio Tiradentes.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

"Embora legítima do ponto de vista partidário, ela (a decisão) representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado", disse Campos, em nota enviada à imprensa.

Para ela, a chapa deveria surgir de uma "aliança ampla e competitiva", com a presença de outras legendas que formam a base do governo Lula.

A expectativa no governo é de que, agora, Lula atue para tentar convencer a ex-prefeita de Contagem a concorrer. Trocar o cargo almejado é visto como um "sacrifício" para Campos. Ela lidera nas pesquisas para o Senado, superando nomes como Aécio Neves (PSDB) e Marcelo Aro (PP). Para o Executivo estadual, porém, tem poucas chances de vencer.

O PT mineiro chegou a cogitar uma aliança com o pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Azevedo, que recebeu apoio, inclusive, de Marília Campos. Venceu, porém, a corrente que defendeu a candidatura própria.

Em sua manifestação, a pré-candidata também defendeu que lançar seu nome ao Senado é "estratégico" para fortalecer a base lulista, que não possui senadores mineiros, e para fortalecer a representatividade feminina na Casa Alta.

"Essa é a única disponibilidade política colocada por Marília para a disputa de 2026 e o palanque petista capaz de contribuir para a reeleição do presidente Lula no estado", frisou.

Cenário embolado

Lula tem dificuldade com Minas Gerais desde o início do ano. A princípio, convenceu o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) a concorrer, apesar da resistência do ex-presidente do Senado. Lula chegou a comentar que Pacheco seria o único nome competitivo no estado.

Embora não tenha confirmado a candidatura, Pacheco chegou a ser considerado um nome certo para a disputa por aliados do presidente Lula, e sinalizou ter aceitado o convite, nos bastidores. Porém, acabou decidindo deixar a vida pública após o fim de seu mandato, em janeiro do ano que vem.

A desistência foi confirmada após a derrota história da indicação do Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Pacheco almejava o cargo, e é próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que articulou contra Messias. Parte da base governista passou a responsabilizar também Pacheco pela derrota, azedando a relação.

A falta de definição sobre a chapa em Minas Gerais preocupa a campanha de Lula. Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas costuma refletir o resultado nacional: quem vence no estado, vence na disputa nacional.

  • Google Discover Icon
postado em 25/06/2026 21:52
x