
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai participar, na próxima terça-feira (30/6), no Paraguai, da Cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul). A série de reuniões, que contará com os líderes dos Estados-membros e de países associados ao bloco, vai discutir respostas do grupo sul-americano para possíveis desastres naturais — como terremotos, tempestades e queimadas. Essas discussões terão como pano de fundo o terremoto na Venezuela, tragédia que, até esta sexta-feira (26), deixou 589 mortos, sendo dois brasileiros.
“Esse era um exercício bilateral Brasil-Paraguai de combate a desastres. Os países do Mercosul foram convidados a discutir o tema, nesse espírito de que essa também é uma questão de muita importância. (...) É só a gente ver o que aconteceu na Venezuela há dois dias para ver como é importante que a região esteja preparada, porque infelizmente a perspectiva é de que os desastres aumentem”, disse a embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, secretária de América Latina e Caribe, do Ministério das Relações Exteriores.
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Porém, segundo ela, "não houve, ninguém colocou, questionou, não estava na agenda a discussão sobre um regresso da Venezuela ao Mercosul". "Em nenhum momento do semestre foi levantada a questão da suspensão (e retorno) da Venezuela", emendou.
Embora negue discussões sobre um regresso da Venezuela no Mercosul, essa possibilidade já foi comentada pelo vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin (PSB), em abril deste ano. Na avaliação dele, o cenário político no país pode contribuir para uma reaproximação no bloco.
A Venezuela, em janeiro deste ano, foi alvo de interceptações do exército dos Estados Unidos, que sequestrou o então presidente do país, Nicolás Maduro, sob a perspectiva de que ele corroborava para o crime organizado. Em seu lugar, comanda o país a então vice de Maduro, Delcy Rodriguez.
Ao lado do também embaixador Philip Fox-Drummond, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros, Gisela Maria conversou com jornalistas, na manhã de hoje, sobre a agenda de Lula na Cúpula do Mercosul, na semana que vem. As reuniões, além de tratarem de condutas para prevenir e agir diante de desastres naturais, vão contar com a passagem da presidência temporária do bloco para o Uruguai; atualmente está sob o comando do Paraguai. Os presidentes do Mercado Comum do Sul ficam seis meses à frente do cargo.
Acordos
Além de discussões sobre condutas para lidar com desastres naturais, a cúpula do Mercosul levará à mesa discussões sobre acordos de livre-comércio com Japão, Canadá e Emirados Árabes. Desses tratados, de acordo com Drummond, secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, o do Mercosul com o Canadá e os Emirados Árabes estariam mais avançados.
Ainda segundo ele, na Cúpula do Mercosul, estará presente o representante dos Emirados Árabes, o ministro do Comércio Thani bin Ahmed Al Zeyoudi. Não há informações, porém, de presenças de representantes do Canadá e do Japão. Este último optou por enviar uma carta de alto nível em vez de uma autoridade presencial.

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