CASO MASTER

CVM vai acelerar processos que envolvem Banco Master, promete novo presidente

Otto Lobo disse, no entanto, que casos serão analisados dentro de todos os outros que estão em atraso na comissão

Aprovado pelo Senado Federal à presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo disse que a entidade deve acelerar e priorizar os julgamentos de casos que envolvem o Banco Master, caso a sua nomeação seja sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita na tarde desta terça-feira (2/6), logo após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“Já houve, por parte da CVM, a apresentação de como nós vamos aumentar os julgamentos esse ano, e todos esses processos vão ser tratados com muita celeridade. A CVM sempre vai dar respostas para esse e outros processos e o que tem de novo é que vai ter que ser feito um mutirão para julgar mais processos. Então a resposta será dada”, disse Lobo, na saída do ministério.

Segundo ele, os processos sobre o banco de Daniel Vorcaro, preso desde novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deverão ser analisados pela mesma comissão que avalia todos os processos. Ele disse que não seria possível analisá-los separadamente, pela CVM não fazer “diferenciação em função do acusado”.

“Então, tudo vai ser feito dentro das melhores regras da legalidade, dos princípios constitucionais da ampla defesa, e tudo mais, mas na verdade nós vamos acelerar o julgamento dos processos. Agora, tem processos que ainda não estão formalizados, estão em inquérito ainda. Então isso a gente vai aguardar também os processos chegarem ao colegiado”, ponderou.

Falta de recursos

Desde julho de 2025, a presidência da CVM é ocupada por interinos, após a saída de João Pedro Nascimento, que renunciou ao cargo. O próprio Lobo assumiu a posição logo após a saída do antecessor, mas teve de deixar o comando em janeiro deste ano, por ter cumprido o tempo de mandato como diretor. Atualmente, quem comanda a entidade é João Accioly, também de forma interina.

O nome de Otto Lobo foi indicado pelo presidente Lula no último mês de abril e teve sua nomeação aprovada pelo Senado no último dia 20 de maio. O presidente aprovado ainda espera a sanção do chefe do Executivo para tomar posse definitiva no novo cargo. Enquanto isso não ocorre, ele disse que segue dialogando com o governo para tentar recuperar o orçamento da CVM e a composição da diretoria, que segue prejudicada.

No último mês de abril, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7791, que pelo menos 70% da arrecadação da taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários sejam destinados à CVM. Além disso, ele determinou que a União apresente um plano de reestruturação da atividade de fiscalização do setor para este ano.

Dino aponta, dentro da ação, que existem gargalos na fiscalização da CVM a serem corrigidos. Por conta disso, determinou que a União apresente um plano complementar, em até 90 dias, para eliminar esses entraves, além de ampliar a prevenção de irregularidades e fraudes com o uso de tecnologia, reduzir a evasão de servidores e a revisar as remunerações.

Segundo Lobo, o ministro da Fazenda se mostrou “bastante sensível” aos desafios da CVM e acredita que há um bom momento para ampliar a interlocução com a pasta. “Agora o momento é de interlocução com o ministério para otimizarmos esses recursos. Então, o primeiro passo é, na verdade, essa interlocução que, ao meu ver, hoje foi a primeira reunião e foi uma boa reunião”, destacou.

Sobre os planos de reestruturação, o presidente aprovado disse preferir não comentar sobre o assunto, por não ter participado da elaboração. “Eu ainda quero ouvir tanto os membros do colegiado quanto como também a área técnica, as associações, quero ouvir a todos, mas a decisão foi tomada sexta-feira. A resolução foi aprovada”, acrescentou Lobo.

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