TARIFAÇO

Mauro Vieira rebate EUA e aposta em diálogo para evitar novo tarifaço

Chanceler afirma que argumentos usados por Washington não se sustentam e diz que o Brasil continuará buscando uma solução diplomática para evitar prejuízos às exportações nacionais

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4/6) que o governo dos Estados Unidos está disposto a manter o diálogo com o Brasil sobre a possível imposição de novas tarifas a produtos brasileiros. A declaração foi dada após um encontro com o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, durante reunião da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.

Segundo o chanceler, Greer destacou que as conversas entre os dois países têm avançado de forma positiva. Vieira respondeu que é interesse do Brasil aprofundar as negociações, especialmente após a divulgação dos relatórios do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que recomendam tarifas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras.

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O governo brasileiro contesta as conclusões da investigação conduzida pelos norte-americanos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Para Vieira, os argumentos apresentados por Washington para justificar as medidas não são legítimos e já foram devidamente respondidos pelas autoridades brasileiras.

“O maior argumento é que o Brasil não tem superávit com os Estados Unidos. Muito pelo contrário. Temos déficit comercial. Não há razão para medidas de proteção ao comércio americano”, afirmou o ministro, acrescentando que o país forneceu todas as informações solicitadas durante a investigação.

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Nos bastidores, o governo vê espaço para negociar a sobretaxa de 25% recomendada pelo USTR e pretende intensificar as conversas até 6 de julho, data da realização de uma audiência pública sobre o tema. Caso não haja acordo, a estratégia será tentar adiar a entrada em vigor das tarifas, prevista para 15 de julho.

Apesar do aumento da tensão comercial, o Itamaraty mantém a aposta na diplomacia. Segundo Vieira, Brasil e Estados Unidos possuem um histórico de cooperação em áreas como comércio, segurança e combate ao crime organizado, o que reforça a expectativa de que uma solução negociada ainda possa evitar impactos sobre as exportações brasileiras.

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