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Pesquisa aponta economia como ponto fraco de Lula do Distrito Federal

Para Alexandre Garcia, à frente da pesquisa Correio-Opinião Inteligência, esse é o maior problema do petista contra os adversários

A pesquisa Correio-Opinião Inteligência Política que mostrou empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial no Distrito Federal, reflete um cenário mesclado pela insatisfação econômica e o conservadorismo do eleitorado na capital do país. Essa é a avaliação de Alexandre Garcia, CEO do instituto responsável pelo levantamento.

O cenário nacional mostra que esse empate técnico no DF é uma exceção favroável à direita na corrida presidencial. Na pesquisa Correio-Opinião Inteligência Política, no segundo turno Lula estaria em desvantagem em relação ao candidato do PL. O petista teria 39% dos votos e Flávio, 45%.

Na avaliação de Garcia, o principal ponto de fragilidade do governo Lula é a economia. Ele afirma que a população enfrenta um período de endividamento elevado, perda do poder de compra e dificuldades para lidar com os juros altos.

"Este governo do Lula é muito diferente dos anteriores. A performance está muito aquém do que eram as expectativas da população. Vejo agora um cenário um tanto quanto desfavorável para a situação. Acho que o ponto crítico é a economia", observa.

Para ele, apesar das críticas feitas pelo governo federal à taxa de juros na gestão de Roberto Campos Neto, que assumiu a presidência do Banco Central no governo Bolsonaro, a equipe econômica de Lula não alterou a situação. "Conseguiram substituir o presidente do Banco Central. Passou mais um tempo e nós continuamos com a taxa Selic nas alturas. Ou seja, o governo não teve capacidade de gerar projetos e estratégias que favorecessem a queda da taxa de juros", afirma.

Garcia lembra que "a população está altamente endividada, o mercado está muito alavancado e não está conseguindo sustentar os altos custos. O custo de vida aumentou, o poder aquisitivo caiu e as empresas estão altamente endividadas. Então, o cenário é caótico".

Mas não é apenas a economia que torna o panorama desfavorável ao pré-candidato do PT. Para Garcia, a situação atual também é resultado de um processo político que se consolidou nos últimos anos.

"Tivemos, em 2018, uma rejeição forte ao campo progressista, que favoreceu a candidatura de Bolsonaro. Mas Bolsonaro teve um governo muito conturbado. Acho que ele perdeu para ele mesmo. Rompeu com as instituições públicas, rompeu com o Judiciário e acreditou que poderia fazer tudo sozinho", analisa.

Segundo Garcia, dois fatores sustentam esse cenário de dificuldade para o pré-candidato do PT no DF: a elevada rejeição e a predominância de um eleitorado mais alinhado às pautas ligadas à direita. "Nós temos essas duas variáveis que atrapalham o desempenho do Lula: a rejeição, que é alta, e o campo liberal-conservador", afirma.

Apesar disso, Garcia acredita que é cedo para apontar um favorito à disputa eleitoral. Ele acredita que Lula segue sendo um candidato competitivo por conta da liderança pessoal no campo progressista.

O CEO da Opinião Inteligência Política ressalta que Lula tem um segundo ponto muito forte: a máquina pública na mão, que pode fazê-lo ganhar a eleição. Porém, Garcia acredita que se as coisas não mudarem de direção, as chances do outro lado devem aumentar até o fim da disputa eleitoral.

Ao Correio, a equipe do Flávio Bolsonaro agradeceu o espaço, mas disse que não comentaria o resultado que o favorece na pesquisa. A assessoria de Lula também foi acionada para comentar o levantamento, mas o Correio não obteve resposta.

Entre Ronaldo Caiado e Lula no segundo turno, o eleitor brasiliense aposta em Caiado. Segundo a pesquisa Correio-Opinião Inteligência Política, o presidente perde do ex-governador de Goiás por 32,9% a 53,2%. Outros 14,1% dos entrevistado disseram votar em branco/nulo/ninguém.

Equilíbrio

Para Garcia, os eleitores de centro ou centro-direita podem enxergar em Caiado uma alternativa mais equilibrada do que Flávio Bolsonaro. "Não imaginava que o Caiado fosse tão bem aqui em Brasília. Ele tem um posicionamento menos forte do que os Bolsonaros. Ele consegue ser um pouco mais ponderado. Talvez tenha atraído o eleitor de centro-direita que também não gosta das posições da família Bolsonaro, em especial do (ex-presidente) Jair", explicou.

O ex-governador de Goiás atribui o resultado à atenção que seu governo deu ao Entorno do DF. "Agradeço muito avaliação positiva. A pesquisa do Correio mostra o reconhecimento da população para além do Entorno de Brasília, uma região que era esquecida, não era nem Goiás, nem Brasília, que passou a ter a atenção necessária no meu governo e viu os resultados das nossas ações", disse Caiado ao Correio.

Já em um eventual segundo turno entre Lula e Zema, o cenário é de empate técnico, mas como o ex-governador de Minas Gerais na frente — ele aparece com 40,3%, enquanto o presidente registra 39,2%. No entanto, nacionalmente Lula continua favorito. Mais de 48% do eleitorado disse que votaria nele contra os 34,9% de Zema.

Ao Correio, o pré-candidato do Novo disse crer na derrota do PT. "No Distrito Federal, as pessoas vivem política quase 24 horas por dia e sabem o fracasso que é o governo do Lula. Estarei no segundo turno para derrotar o PT, como fiz em Minas. Sei como derrotar o PT", diz a nota.

* Estagiários sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

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