A pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), ao Senado Federal foi oficialmente lançada nesta sábado (20/06), em Guarulhos, em um evento que reuniu as principais lideranças do campo bolsonarista e da direita paulista. O encontro, que contou com as presenças do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, do senador Rogério Marinho (PL-RN), do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e do ex-secretário de Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite (PP), serviu para reforçar um recado político: Eduardo Bolsonaro segue tratado pelo grupo como integrante da chapa ao Senado, apesar da recente condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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Principal personagem nos bastidores do evento, Eduardo participou por vídeo diretamente dos Estados Unidos. O ex-deputado federal, que foi anunciado como primeiro suplente de André do Prado, reafirmou apoio ao aliado e insistiu na construção conjunta do projeto eleitoral.
"Estou muito seguro, muito tranquilo de apoiar o nome dele. A missão é árdua, mas não tem outra possibilidade senão caminharmos juntos nessa chapa", afirmou.
A manifestação ocorre poucos dias após a Primeira Turma do STF condenar Eduardo por coação no curso do processo relacionado às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. A pena foi fixada em quatro anos e dois meses de reclusão, em regime semiaberto, além do pagamento de 50 dias-multa, equivalentes a R$ 162,1 mil. A decisão também determinou a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade por oito anos.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo atuou junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras por meio de medidas como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, a revogação de vistos de ministros do Supremo e sanções econômicas contra o Brasil.
Mesmo diante da decisão, André do Prado afirmou que não pretende alterar a composição da chapa. "Ele continua como meu primeiro suplente. Existem recursos que ainda podem ser impetrados, e a gente acredita que o plenário do Supremo possa reverter isso", declarou.
"A vaga era dele. Era ele que estaria disputando essa vaga ao Senado. Pode ter certeza de que vou honrar todas as pautas da direita e a confiança que vocês estão depositando em mim", afirmou.
Palanque
Flávio Bolsonaro transformou a situação do irmão em um dos eixos centrais de seu discurso. "Não foi uma decisão fácil. Era para o Eduardo também estar aqui. Infelizmente, por conta de uma suposta defesa da democracia, fizeram abusos e o Eduardo não pôde estar aqui com a gente hoje", declarou.
O senador apresentou os principais pontos de sua plataforma presidencial e vinculou o lançamento da candidatura de André ao que chamou de projeto de "libertação do país". O senador criticou o governo Lula, associando a atual gestão ao aumento da violência, da carga tributária e do custo de vida.
O senador também defendeu o endurecimento das políticas de segurança pública, ampliação do sistema prisional e combate mais rigoroso às facções criminosas. "Quem tem que ter medo é vagabundo", disse.
O governador Tarcísio de Freitas também aproveitou o evento para fazer críticas ao governo federal e destacar realizações de sua administração. "Está na hora de deixar de discutir qual é o Brasil do futuro e começar a construir o Brasil do futuro", disse. Ao elogiar Guilherme Derrite, afirmou que o secretário será uma voz importante para a pauta da segurança pública no Congresso Nacional.
Derrite confirmou oficialmente a dobradinha com André do Prado na disputa pelas duas vagas ao Senado. O secretário atribuiu ao presidente da Alesp parte da sustentação política que permitiu a implementação de ações de combate ao crime organizado durante o governo Tarcísio.
"Nós só conseguimos fazer tudo o que fizemos porque tivemos o apoio desse cara aqui na presidência da Alesp. Quero confirmar nossa parceria e dizer que vou trabalhar muito para que nós dois estejamos no Senado Federal representando São Paulo", afirmou.
