Entrevista | gilbero kassab | vice na chapa presidencial de ronaldo caiado

"Chapa pura preserva a identidade do nosso projeto", diz Kassab

Presidente do PSD avalia que ao disputar o Palácio do Planalto com candidatura "puro-sangue", partido apresenta ao eleitorado, sobretudo, um projeto de país

 28/04/2026. Cidades. Gilberto Kassab*, presidente nacional do PSD, é o entrevistado do CB.Poder Especial. -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
28/04/2026. Cidades. Gilberto Kassab*, presidente nacional do PSD, é o entrevistado do CB.Poder Especial. - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A oficialização de Gilberto Kassab como candidato a vice de Ronaldo Caiado mostra que o PSD aposta em uma chapa presidencial "puro-sangue", que pretende se apresentar para o eleitor como autêntica e representante de princípios — daí porque defende uma Reforma Administrativa para financiar programas sociais sem aumento da carga tributária, o combate intransigente à corrupção e um combate inclemente com as facções criminosas. Ao explicar a escolha do ex-governador de Goiás para liderar o projeto de chegar ao Palácio do Planalto, Kassab destacou a experiência administrativa do companheiro de chapa e os resultados que alcançou, principalmente na segurança pública. Afirmou, ainda, que os dois reúnem condições de dialogar com um eleitorado mais amplo da centro-direita, tanto que, quando a campanha estiver na rua, crê no crescimento junto às pesquisas — que vêm apontando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perderia para o Caiado”. Leia a seguir a entrevista.

O PSD decidiu por uma chapa própria à Presidência. Por que o partido entendeu que este é o momento de disputar o Palácio do Planalto em vez de apoiar outro candidato?

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O PSD não tem identidade com as outras candidaturas. O partido amadureceu, cresceu, e desde 2022 entendia que estava preparado para lançar um candidato. Tínhamos estrutura política e capilaridade. Naquele ano, não conseguimos levar uma candidatura até o final, mas, felizmente, neste ano, com o Ronaldo Caiado, conseguimos. A chapa pura preserva ainda mais a nossa identidade. O que li em alguns meios de comunicação é equivocado: nós não procuramos nenhum partido para fazer aliança.

E não procurou por quê? Não ficaria mais fortalecido?

No passado, os partidos tinham um ativo muito importante, que era o tempo de tevê e de rádio. Hoje, esse ativo não é tão relevante. O mais relevante, agora, é o candidato. São as propostas e a imagem do partido. Entendemos que a imagem do nosso partido, do nosso candidato e dos nossos líderes, possui uma sintonia importante com a sociedade que nos permite sair em chapa pura.

As pesquisas de intenção de voto mostram Lula e Flávio na frente. O que fazer para mudar esse quadro?

O passo agora é começar a campanha. Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, o Caiado não era candidato, pois seu antigo partido negou a legenda. Ele veio para o PSD, passamos por um processo de decisão e, até um mês atrás, não havia estrutura de campanha. Agora que ela está sendo construída, teremos o momento de crescer.

O senhor acredita que há tempo de reverter esse cenário?

Não se trata de reverter, mas de construir, pois a candidatura está começando agora. E posso afirmar: Lula perde para o Caiado no segundo turno, mas ganha do Flávio no segundo turno.

O senhor é considerado um dos principais articuladores políticos do país. O que fez o PSD apostar em Caiado como o nome mais competitivo para disputar a Presidência?

Sua biografia, sua experiência recente e sua excelente gestão como governador. Ele apresentou resultados sendo o governador mais bem avaliado do Brasil. Além disso, pesou sua vontade de ser presidente e seu perfil de centro-direita, que é o que o eleitor procura para tirar o PT do poder. Entendemos que o perfil do Caiado, com sua história, atende a esse eleitor melhor do que os outros candidatos.

O eleitor de direita, hoje, está dividido entre diferentes candidaturas. Por que o senhor acredita que a chapa Caiado-Kassab representa uma alternativa mais competitiva do que o projeto do bolsonarismo?

A chapa Caiado-Kassab é mais ampla. O Caiado tem uma história de relações com a direita moderada bastante consistente e coerente. Já a nossa história diz respeito a uma relação com o centro da política brasileira. Portanto, essa chapa expressa efetivamente uma candidatura de centro-direita que atende a uma gama maior de eleitores, tendo uma chance maior de ser bem-sucedida.

Temos presenciado discussões e conflitos na família Bolsonaro, entre Michelle e Flávio. O senhor acredita que esses conflitos podem enfraquecer a direita nas eleições?

Tenho sido muito demandado para falar das outras candidaturas, mas vou me permitir não falar. São questões internas e familiares que não são da política, e não me sinto à vontade para comentar. Estou mergulhado na nossa candidatura, a do Caiado, que é a melhor do Brasil, e focado num projeto de construção de relação com a sociedade, levando o nome dele e seu programa de governo.

Quais serão as principais bandeiras e pautas do senhor e de Caiado, além da segurança pública?

A maior demanda da sociedade, hoje, é por segurança e combate à corrupção, pois, infelizmente, não há nenhum combate atualmente. Felizmente, essas são as principais marcas do Caiado. Isso o ajudará muito na campanha, pois seu perfil e história atendem ao que a sociedade quer: um presidente que combata a corrupção, traga segurança e promova as reformas necessárias. Ele atenderá essa demanda melhor do que os outros porque os outros já ocuparam a Presidência, tanto o PL de Bolsonaro quanto o PT de Lula, e essas respostas não foram dadas.

Dependendo de quem chegar ao segundo turno, o PSD está disposto a conversar ou a apoiar?

Em 40 anos de vida pública, aprendi que, neste momento, devo falar apenas sobre o meu candidato, até porque acredito que ele chegará ao segundo turno.

O governo Lula destaca indicadores, como a redução do desemprego e o crescimento da economia. Na sua avaliação, quais são os erros da atual gestão?

Ninguém é contra programas sociais, nem eu, nem o Caiado. Mas o que precisamos, em primeiro lugar, é construir portas de saída. Em segundo lugar, o financiamento desses programas não pode vir do aumento da carga tributária, mas sim de uma Reforma Administrativa que faça sobrar recursos para investir na infraestrutura e nos programas sociais.

Se o senhor tivesse que apontar três áreas em que o governo Lula falhou, quais seriam?

Primeiro, a segurança. Há 30 anos, a preocupação da sociedade aumenta e a segurança falha no que diz respeito às políticas públicas — tanto o governo Lula quanto os anteriores falharam. Segundo, o combate à corrupção, que não tem acontecido, desviando recursos da saúde e educação. Terceiro, a saúde. O Brasil tem o melhor sistema, o SUS, mas faltam recursos e melhor gestão. A tabela SUS não é atualizada há anos e os serviços não têm a qualidade desejável, sendo incompatíveis com o que foi idealizado para um modelo extraordinário.

A polarização entre petismo e bolsonarismo domina o cenário. Como a chapa Caiado-Kassab pretende romper essa lógica e convencer o eleitor de que existe uma terceira via?

Não é uma terceira via, é uma alternativa. Mais de 50% da população quer essa alternativa. É uma questão de comparação: o Caiado tem mais experiência do que o Flávio. E não tem nenhum problema na vida pessoal e em 40 anos de vida pública — nunca foi acusado de qualquer malfeito. Além disso, nos últimos anos, ele tornou-se o governador mais bem avaliado do país, com 88% de aprovação.

O senhor foi ministro no governo Dilma. Que experiência desse período traz para um eventual governo Caiado?

Tenho o privilégio de ter ocupado diversos cargos no Executivo: fui secretário de Planejamento em São Paulo, secretário de governo no estado com o governador Tarcísio e, no plano federal, conduzi três pastas importantes: Comunicações, Cidades e Ciência e Tecnologia. Também tenho experiência no Parlamento como vereador, deputado estadual e federal, além de ter sido prefeito de São Paulo por sete anos. Todo esse currículo me permite ser uma peça importante para o presidente Caiado nas missões que ele determinar.

Existem críticas de que o PSD integra governos de diferentes orientações e seria um partido "pragmático", sem identidade clara. Como responde a isso?

Somos um partido de centro e nossa identidade é clara e transparente — não somos fisiológicos. Somos um partido que defende o fim das emendas parlamentares, o voto distrital misto, a Reforma Administrativa e políticas de transparência. Qual outro partido tem a coragem de defender essas propostas? Isso nos diferencia dos demais.

Quais seriam as três primeiras medidas econômicas de um eventual governo Caiado-Kassab para recuperar a confiança dos investidores, controlar as contas públicas e estimular o crescimento?

Eu não diria as três primeiras. O que o nosso candidato tem dito é que, no primeiro dia de governo, todas as medidas importantes serão apresentadas e encaminhadas ao Congresso.

A segurança pública é uma das bandeiras de Caiado. O que um governo do PSD faria de diferente em relação ao combate às facções?

Esse é outro ponto que diferencia o Caiado, porque ele já fez. Enfrentou o crime e melhorou a segurança em Goiás. Portanto, tem condições de assumir compromissos com a credibilidade de quem entregou resultados. A esperança para melhorar a segurança do país é Caiado presidente.

 

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postado em 02/07/2026 03:55
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