Brasil-EUA

MJ diz que sanção dos EUA a brasileiros não surpreende, mas traz "preocupação"

Governo afirma que medidas unilaterais dos Estados Unidos não substituem os mecanismos de cooperação internacional, embora reconheça que a decisão era esperada após a classificação do PCC como organização terrorista estrangeira

Em nota, o governo Lula destacou que o combate ao crime organizado transnacional deve respeitar os tratados firmados entre os países -  (crédito: Ricardo Stuckert / PR)
Em nota, o governo Lula destacou que o combate ao crime organizado transnacional deve respeitar os tratados firmados entre os países - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O governo federal afirmou nesta quarta-feira (2/7) que recebeu com preocupação a decisão dos Estados Unidos de aplicar sanções contra dois cidadãos brasileiros e três empresas sediadas no Brasil por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública destacou que o combate ao crime organizado transnacional deve ocorrer por meio da cooperação jurídica internacional e do respeito aos tratados firmados entre os países.

Segundo a pasta, a medida norte-americana não surpreendeu o governo brasileiro, pois já era considerada um possível desdobramento após a classificação do PCC pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira. Ainda assim, o ministério alertou que ações unilaterais podem abrir caminho para medidas mais severas adotadas fora dos mecanismos tradicionais de cooperação entre os países.

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"O combate ao crime organizado transnacional não deve servir de pretexto para medidas unilaterais que desconsiderem a cooperação jurídica internacional e os tratados internacionais em vigor", afirmou o Ministério da Justiça. A pasta acrescentou que o Brasil possui instrumentos legais, capacidade institucional e compromisso político para enfrentar organizações criminosas, citando investimentos de R$ 11 bilhões em ações de combate ao crime organizado.

As sanções foram anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac). Além dos dois brasileiros e das três empresas instaladas no Brasil, uma companhia sediada em Portugal também foi incluída na lista de restrições. Segundo o governo norte-americano, o grupo utilizava o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo Tesouro americano como líder de uma rede ligada ao PCC no estado de São Paulo e responsável por conectar operadores da facção na Flórida a traficantes internacionais. De acordo com as autoridades dos Estados Unidos, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões obtidos com atividades ilícitas em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os recursos ao Brasil.

Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita pelas autoridades norte-americanas como colaboradora próxima de Shimada. Na avaliação do governo dos Estados Unidos, o PCC consolidou-se como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, com atuação em países como Reino Unido, Turquia e Japão, ampliando sua influência sobre rotas internacionais de tráfico de drogas e esquemas de lavagem de dinheiro.

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postado em 02/07/2026 12:46 / atualizado em 02/07/2026 12:46
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