ELEIÇÕES 2026

Izalci atribui recuo de Michelle à pressão e vê liderança intacta

Senador afirma que ex-primeira-dama enfrenta forte desgaste pessoal, mas destaca o papel de Michelle na direita. "É a maior liderança que nós temos hoje no país em termos de mulher. Ela realmente é um fenômeno", afirmou

"Tem que se colocar no lugar da ex-primeira para ver a pressão que está recebendo diariamente e as dificuldades que enfrenta", disse Izalci - (crédito: Ed Alves CB/DA Press)

O senador Izalci Lucas (PL-DF) avaliou que o momento de menor exposição pública vivido por Michelle Bolsonaro está diretamente relacionado à pressão pessoal e familiar enfrentada pela ex-primeira-dama nos últimos meses. Apesar disso, ele considera que a influência política da ex-presidente do PL Mulher permanece preservada e que ela segue como uma das principais lideranças da direita brasileira.

Ao Correio, Izalci afirmou que é preciso compreender o contexto vivido por Michelle antes de interpretar seu afastamento temporário dos holofotes.

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“Olha, as pessoas precisam entender. A pressão sobre ela é muito grande. Tem um marido preso há quanto tempo, condenado, e existe toda essa preocupação com o estado de saúde dele. Evidente que isso afeta, é uma questão psicológica que afeta tudo”, declarou.

O parlamentar acrescentou que a ex-primeira-dama continua ocupando uma posição de destaque no campo conservador e possui potencial eleitoral para qualquer disputa que decida enfrentar.

“É a maior liderança que nós temos hoje no país em termos de mulher. Ela realmente é um fenômeno. Tem tudo para ganhar uma eleição, se for candidata até ao Senado sem nenhuma dificuldade”, afirmou.

Segundo Izalci, o período atual deve ser encarado como uma pausa necessária diante da intensidade dos acontecimentos que cercam a família Bolsonaro.

“Precisamos só dar um tempo, porque ela pediu um tempo. Realmente não é fácil. Tem que se colocar no lugar dela para ver a pressão que está recebendo diariamente e as dificuldades que enfrenta”, disse.

Mesmo fora da linha de frente do debate político nas últimas semanas, o senador acredita que a ex-primeira-dama mantém seu peso eleitoral.

“Ela continua com a liderança. Se quiser ser senadora, ela vai ser senadora aqui pelo Distrito Federal. Realmente é uma grande liderança”, completou.

A avaliação encontra eco em pesquisas recentes. Levantamento do instituto Meio/Ideia divulgado nesta semana apontou Michelle como a mulher mais poderosa do Brasil na percepção espontânea de 15,4% dos entrevistados, à frente de nomes como a primeira-dama Janja e a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia.

Lacuna

Para o cientista político Rudá Ricci, presidente do Instituto Cultiva e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, a ascensão política de Michelle revela transformações importantes no cenário político brasileiro e expõe uma lacuna de lideranças femininas em outros campos ideológicos.

Segundo ele, chama atenção o fato de a direita ter conseguido projetar figuras femininas com forte inserção popular em um momento em que o governo federal é identificado por parcela da sociedade como mais próximo da esquerda.

“Há muito tempo a esquerda não consegue projetar uma liderança feminina com a dimensão que a direita está conseguindo construir. Isso ocorre com Damares Alves, com Celina Leão, mas principalmente com Michelle Bolsonaro”, avaliou.

Na visão de Ricci, a força política da ex-primeira-dama está ligada à sua trajetória dentro do universo evangélico e à forma como sua história pessoal é percebida por esse segmento do eleitorado.

“O discurso dela dialoga com a ideia de redenção muito presente nas igrejas evangélicas. É uma narrativa que encontra identificação em milhões de pessoas que também passaram por processos de transformação pessoal e religiosa”, explicou.

O cientista político também observa que Michelle construiu uma liderança com características próprias, que não depende diretamente das estruturas tradicionais de poder da direita.

“Ela constrói uma liderança que muitos homens da direita e da extrema-direita não controlam. Isso ajuda a explicar parte dos ataques que recebe”, afirmou.

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postado em 09/07/2026 14:32 / atualizado em 09/07/2026 14:38
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