
A decisão do ministro Flávio Dino que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, traz um elemento que passou a orientar a investigação sobre supostos desvios de emendas parlamentares: a atuação de servidores da Câmara dos Deputados como executores diretos das determinações atribuídas ao dirigente partidário.
Ao fundamentar a medida cautelar, Dino afirma que há "múltiplos indícios" reunidos pela Polícia Federal de que os servidores Mariângela Fialek, Garigham Amarante Pinto e Nara Benedetti Nicolau Brum "teriam atuado, dentro da Câmara dos Deputados, como longa manus de Valdemar Costa Neto". Na sequência, acrescenta que, com base em diálogos e planilhas apreendidos durante a investigação, o presidente do PL, "sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos".
A expressão em latim, frequentemente utilizada no meio jurídico, significa "braço executor" ou "extensão da vontade" de outra pessoa. No contexto da decisão, ela é empregada para descrever a hipótese investigada pela Polícia Federal de que os servidores operacionalizavam internamente, na estrutura administrativa da Câmara, decisões que teriam partido de Valdemar.
Segundo a representação policial, a análise do celular da servidora Mariângela Fialek revelou "a existência de um arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar Costa Neto, presidente do PL, mas desprovido de mandato, aparece como vetor de definição e remanejamento de emendas". Para os investigadores, o dirigente partidário exerceria influência direta sobre a distribuição dos recursos, embora não ocupasse cargo eletivo.
Procurado pelo Correio, o advogado Garigham disse que, por ser "técnico", não comentaria o acontecido.

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