entrevista

Vamos provar que não houve nada errado, diz presidente do PL

Valdemar Costa Neto nega ter exercido influência indevida na destinação de emendas parlamentares. Dirigente é investigado pela Polícia Federal por suposto desvio de recursos públicos

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto -  (crédito: Foto.: Beto Barata/ PL)
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto - (crédito: Foto.: Beto Barata/ PL)

Em meio ao avanço das investigações sobre a destinação de emendas parlamentares e ao bloqueio de R$ 119 milhões em bens determinado pelo ministro Flávio Dino, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao Correio que a Polícia Federal interpreta de forma equivocada sua atuação dentro do partido. Ele garantiu que demonstrará à Justiça a legalidade de sua conduta.

Apontado pela PF como participante da definição da destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato, Costa Neto sustenta que apenas cumpriu o papel político de encaminhar demandas de prefeitos e parlamentares à liderança da legenda.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Na entrevista, ele também comentou a carta divulgada por Jair Bolsonaro em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, minimizou o embate entre o senador e Michelle Bolsonaro, confirmou o apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará e defendeu a pacificação interna da direita para a eleição de 2026.

Qual foi exatamente o seu papel nas indicações de emendas e onde termina a articulação política legítima de um presidente de partido e começa a interferência indevida na execução de recursos públicos?

Não é indevida, é minha obrigação. Recebo prefeitos e deputados de todo o Brasil. Muitos não possuem informações sobre todo o país ou suporte para receber essas emendas por falta de base parlamentar. Eles me procuram, e eu faço sugestões à liderança, pois vários deputados destinam uma parte das emendas para que a liderança atenda a essas dificuldades. Quem encaminha é o líder; eu não assino nada, apenas envio a relação para a liderança. Além das emendas de deputados, temos recursos nas comissões permanentes, como as de Saúde, Turismo e Relações Exteriores. O presidente da comissão decide o destino da verba em entendimento com a liderança. Eu encaminho as demandas; eles as avaliam, e a assinatura final é do líder. É um trabalho normal da política e do partido avaliar onde realmente há necessidade.

O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do senhor. Como avalia a decisão do magistrado?

Pode ser uma movimentação política, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer contrário a isso. Eles podem ter imaginado que eu teria uma cota própria, mas eu não tenho. O bloqueio de R$ 119 milhões refere-se ao total das emendas; eu não possuo esse valor em conta, nem se ganhasse na Mega-Sena duas vezes sozinho. Isso será esclarecido na nossa defesa; não tenho preocupação nenhuma.

As investigações apontam que dirigentes partidários teriam influenciado a distribuição de emendas sem a devida transparência. O PL possui algum mecanismo formal de controle ou registro dessas conversas para demonstrar que as indicações seguiram critérios técnicos e legais?

Com certeza. Só temos indicações para prefeituras nossas. O presidente da Câmara até se manifestou, pois esse é um tema que deve ser discutido dentro do partido. A maioria dos deputados tem dificuldade em atender a todas as demandas de seus municípios. A liderança checa se a prefeitura está em dia e se os projetos são viáveis, como verificar se há um projeto de turismo antes de destinar verba para essa área.

O senhor teme que o avanço dessa investigação atinja parlamentares do PL ou produza desgaste para o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026? Como o partido pretende lidar com esse impacto político durante a campanha?

No primeiro momento causa impacto, especialmente com chamadas no Jornal Nacional sobre o bloqueio de R$ 119 milhões, o que faz as pessoas pensarem que tenho esse dinheiro ou que houve algo errado. Não houve nada errado, e vamos provar isso ao ministro. Não houve irregularidade, e provaremos isso ao ministro. No passado, sugeriram cotas para presidentes de partidos, e nós mesmos fomos contra; somos atendidos pela liderança dentro do que é possível e necessário.

Na sua avaliação, por que a Polícia Federal pediu bloqueio dos seus bens?

Porque acreditaram na existência de uma cota específica para mim, o que não existe. Isso foi ventilado antigamente e talvez os tenha confundido. Eu solicito ao deputado, e ele atende quando pode, dentro das prioridades das verbas das comissões. O Hugo Motta até emitiu uma nota defendendo que isso é fazer política e faz parte do meu trabalho como presidente de partido.

Sobre a carta divulgada pelo ex-presidente Bolsonaro, o senhor acredita que isso pode impactar na prisão domiciliar dele, já que o PT pede a revogação dessa medida?

Todo preso tem o direito de escrever cartas. Isso, na verdade, fortalece o Flávio, pois quem detém os votos é o Jair Bolsonaro. É vital que ele se manifeste, já que não pode conceder entrevistas. Precisamos eleger o Flávio; é importante para o país que a direita retorne ao governo. Bolsonaro governou efetivamente por dois anos, pois os outros dois foram de pandemia, período em que ele destinou recursos a todos os prefeitos e auxílio aos cidadãos para que pudessem sobreviver ao caos econômico.

Acredita que essa manifestação minimiza o atrito entre Flávio e Michelle?

Essa é a intenção. Não podemos ter desentendimentos internos, pois esta eleição é decisiva para nós e é a maneira de Bolsonaro sobreviver politicamente, já que ele está condenado.

E sobre a candidatura da Michelle ao Senado? Ela virá pelo PL?

Insistimos para que ela seja candidata ao Senado, onde teria eleição garantida. Acredito que os desentendimentos serão superados, pois não venceremos se estivermos brigando entre nós.

Há expectativa de que ela retorne à Presidência do PL Mulher?

Torço para isso, pois ela realizou um trabalho estrutural magnífico. Se ela optar por não exercer a presidência, podemos descentralizar e trabalhar diretamente com as presidentes estaduais, que foram todas escolhidas por ela. Não temos nenhum nome com o mesmo perfil da Michelle.

No Ceará, o PL apoiará Ciro Gomes?

Vamos apoiar o Ciro. Apesar das divergências familiares dele, é um homem honesto e representa a única forma de vencermos o PT no estado. O André Fernandes teve uma excelente votação em Fortaleza, e o apoio da direita é fundamental para melhorarmos nosso desempenho no Ceará.

E a candidatura ao Senado, considerando que Michelle preferia a Priscila Costa?

Na coligação com o Ciro, temos apenas uma vaga para o Senado. Se houvesse uma segunda vaga, a Priscila também seria candidata. A escolha do Fernandes seguiu a vontade da maioria do diretório local. Esperamos que a Priscila venha como candidata a deputada federal, cargo para o qual ela tem muito prestígio e grandes chances de eleição.

 

 

  • Google Discover Icon
postado em 14/07/2026 03:55
x