
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende manter abertos os canais de diálogo com os Estados Unidos e evitar um confronto direto com o presidente Donald Trump diante da escalada das tensões comerciais entre os dois países.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que uma reação mais incisiva poderia fortalecer a narrativa defendida pelo senador e candidato à Presidencia, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e por aliados do governo norte-americano às vésperas das eleições presidenciais no Brasil.
A estratégia do governo será concentrar esforços em negociações diplomáticas e em medidas para reduzir os impactos econômicos do tarifaço. Entre as prioridades estão novas rodadas de consultas com os setores produtivos afetados, a construção de mecanismos de apoio interno e a busca por mercados alternativos capazes de absorver parte das exportações brasileiras que perderem competitividade nos Estados Unidos.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o setor mais ideológico da administração Trump tende a adiar avanços nas negociações comerciais até a definição do cenário eleitoral brasileiro. A leitura é de que uma eventual flexibilização das tarifas poderia ser interpretada como uma vitória diplomática do governo Lula, algo que aliados de Trump e da família Bolsonaro buscariam evitar durante o processo eleitoral.
Apesar dessa avaliação, a orientação do Planalto é preservar o diálogo com Washington. O governo pretende insistir na ampliação da lista de produtos isentos das tarifas e continuar apresentando argumentos técnicos e comerciais para contestar as medidas adotadas pelos Estados Unidos. A aposta é que a interlocução diplomática permaneça aberta, ainda que o ambiente político dificulte avanços no curto prazo.
Paralelamente, o Executivo intensifica negociações comerciais com outros parceiros internacionais, como Japão, Canadá e Emirados Árabes Unidos, na tentativa de abrir novos destinos para produtos brasileiros que possam perder espaço no mercado norte-americano. A diversificação de mercados é tratada como uma das principais respostas para reduzir os efeitos das restrições impostas por Washington sobre a economia brasileira.

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