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Cleitinho trava queda de braço com o próprio partido

Após Republicanos indicar que o senador não vai disputar governo de Minas Gerais, parlamentar afirma que tentará reverter decisão

Cleitinho aparece na liderança das intenções de voto ao governo de Minas -  (crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Cleitinho aparece na liderança das intenções de voto ao governo de Minas - (crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O senador Cleitinho Azevedo (MG) tenta reverter a decisão do comando nacional do seu partido, o Republicanos, após a legenda responsabilizá-lo pelo fracasso das negociações para lançá-lo ao governo de Minas Gerais. Horas após a sigla divulgar uma nota afirmando que a candidatura não avançou por falta de uma decisão do parlamentar, ele anunciou sua intenção de entrar na disputa. 

“Eu sou pré-candidato a governador. Eu sempre fiscalizei, agora vou fazer. Tentei conversar hoje com o presidente (do partido, Marcos Pereira), mas não conseguimos, até porque estamos em Minas, e ele em São Paulo. Vamos conversar com ele amanhã (nesta quinta-feira) para poder tocar o coração dele, e ele oficializar minha candidatura. Se a minha questão pessoal incomodou o partido, eu peço desculpas”, afirmou, em entrevista coletiva na noite dessa quarta-feira.

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O parlamentar disse que, no domingo, mandou uma carta a Pereira explicando o motivo da falta, “e ele disse que estava tudo certo”. “Qual partido vai perder um candidato que, como eu, está liderando as pesquisas com 40% das intenções de voto. Eu acredito que o partido não vai querer me perder.”

A relação de Cleitinho e Pereira se desgastou nas últimas semanas em meio às indefinições a respeito da sucessão mineira. Segundo o Republicanos, durante meses foram feitas articulações para viabilizar a candidatura do senador, incluindo a construção de alianças políticas e o adiamento de decisões estratégicas, na expectativa de que o parlamentar assumisse oficialmente a disputa.

“O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”, afirma o texto divulgado pela legenda.

A sigla também sustenta que nunca faltou apoio político ao senador. “O Republicanos de Minas Gerais sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o governo pela legenda”, ressalta a nota. Em seguida, porém, afirma que esse entusiasmo “não foi correspondido” até a convenção estadual realizada em 25 de julho.

Na avaliação do Republicanos, a indefinição prolongada comprometeu a construção de um projeto coletivo. “Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições”, argumenta a direção estadual.

Outro ponto destacado foi a ausência de Cleitinho na convenção do partido em Minas Gerais. Embora a legenda reconheça que o senador não compareceu por motivos pessoais — estava de luto pela morte do irmão mais novo, vítima de leucemia —, o episódio é tratado como um fato político que acabou obrigando aliados a redefinirem suas estratégias para a eleição.

A convenção, realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), homologou as candidaturas do Republicanos à Câmara dos Deputados, à Assembleia Legislativa e ao Senado. O nome de Cleitinho, no entanto, não foi submetido à convenção para a disputa ao Palácio Tiradentes, justamente pela ausência de uma manifestação formal do parlamentar.

Projeto

A nota representa uma inflexão no discurso da legenda. Até então, dirigentes do Republicanos defendiam publicamente a candidatura de Cleitinho e insistiam que o partido estava preparado para lançá-lo ao governo de Minas. O presidente estadual da sigla, deputado Euclydes Pettersen, afirmou que o Republicanos não abriria mão do projeto e aguardava apenas a confirmação da parte do senador.

Nos bastidores, porém, a demora passou a provocar incômodo. Além de afetar a organização interna do partido, a indefinição repercutiu nas negociações com outras legendas. Minas Gerais é considerada estratégica para a eleição presidencial de 2026, e o nome de Cleitinho é visto como peça importante para a formação do palanque da direita no segundo maior colégio eleitoral do país.

A situação ganhou mais relevância porque ocorre em um momento de força eleitoral de Cleitinho. Pesquisa Genial/Quaest, divulgada na terça-feira, mostrou que o parlamentar lidera a corrida pelo governo mineiro. No principal cenário de primeiro turno, ele aparece com 35% das intenções de voto.

O levantamento também aponta desempenho favorável em eventuais confrontos de segundo turno. Contra o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, Cleitinho venceria por 44% a 29%. Em uma disputa contra o ex-ministro Patrus Ananias (PT), teria 46% das intenções de voto, ante 31% do adversário. Já em um cenário contra o governador Mateus Simões (PSD), ele abriria a maior vantagem: 46% a 15%.

Mesmo diante desse desempenho, o Republicanos destaca que o potencial eleitoral não substitui a necessidade de uma decisão política. No encerramento da nota, a legenda afirma que cumpriu seu papel, ofereceu as condições para a candidatura e conclui que “os fatos falam por si”. “O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”, diz o texto. (Colaborou Renato Souza)

 


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postado em 30/07/2026 05:00
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