VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Moraes defende união entre Poderes no combate a crimes contra mulheres

Na presidência do STF, ministro destaca sanção de leis como o desconto via Pix para pensão alimentícia e reforça avanços do Judiciário na proteção às vítimas

Em sua fala, Moraes destacou medidas tomadas pelo STF em prol das mulheres, como fim da tese da
Em sua fala, Moraes destacou medidas tomadas pelo STF em prol das mulheres, como fim da tese da "legítima defesa da honra" - (crédito: Luiz Silveira/STF)

O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, defendeu uma estratégia coordenada entre os Três Poderes e governos estaduais para combater a violência de gênero no Brasil. Segundo o ministro, a proteção eficaz depende tanto de mudanças na lei quanto da união das instituições.

Durante solenidade no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (29/7), onde o magistrado marcava presença, foram sancionadas duas novas leis: uma que institui o pagamento automático de pensão alimentícia via Pix e outra que exige a divulgação ampla do Ligue 180 — central de denúncias de violência contra a mulher.
O combate à inadimplência alimentar foi um dos pontos centrais abordados por Moraes — ex-promotor de Justiça na área de família — que classificou o problema como estagnado há décadas. Para modernizar o sistema e garantir segurança financeira às mães, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Banco Central vão implementar o desconto automático direto nas contas bancárias dos devedores.
Os dados do setor revelam a dimensão do cenário: apenas em 2025, foram registradas 51 mil prisões por falta de pagamento de pensão, e, atualmente, duas mil pessoas seguem presas por se recusarem a quitar esses débitos.

Medidas históricas

Na frente da proteção jurídica, o ministro detalhou três decisões históricas do STF para evitar que a burocracia ou o preconceito custem vidas de mulheres. A primeira permite que autoridades policiais concedam medidas protetivas de urgência quando não houver juiz disponível na região, eliminando o risco de morte durante a espera.
A segunda proibiu de forma definitiva a tese da “legítima defesa da honra” para justificar feminicídios, determinando a anulação de qualquer julgamento que utilize o argumento. Por fim, para coibir a “dupla vitimização” — com base no caso Mariana Ferrer — a Corte decidiu que serão nulas as audiências em que vítimas de crimes sexuais sejam humilhadas por advogados, juízes ou promotores.
Projetando o futuro, a estratégia aposta na tecnologia e no trabalho conjunto entre os Poderes. A proposta inclui o uso de inteligência artificial para cruzar a base de dados do Judiciário — que reúne investigações, ações penais e execuções — mapeando padrões e fatores de risco para embasar políticas públicas preventivas.
O objetivo final é consolidar um pacto permanente entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, sob a premissa de que a atuação isolada limita os resultados, enquanto a cooperação pode reduzir drasticamente os índices de feminicídio no país.

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postado em 30/07/2026 12:51
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