
Pedido foi encaminhado na última semana e questiona decisões que, na avaliação da corporação, interferem na autonomia das investigações. - (crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A Polícia Federal (PF) acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para buscar uma medida jurídica contra determinações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça relacionadas à condução da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O pedido foi encaminhado na última semana e questiona decisões que, na avaliação da corporação, interferem na autonomia das investigações.
Entre as determinações contestadas está a ordem para que todos os atos da investigação sejam imediatamente anexados ao processo sob relatoria de Mendonça no STF. O ministro também estabeleceu que qualquer substituição de integrantes da equipe responsável pelo inquérito seja previamente comunicada ao seu gabinete, medida que gerou desconforto dentro da Polícia Federal.
O impasse ocorre após mudanças na coordenação da investigação realizadas pela PF em maio. A alteração na equipe teria provocado insatisfação no gabinete do relator. Integrantes da corporação avaliam, sob reserva, que as exigências representam uma ingerência sobre a condução das apurações e defendem que a AGU é o órgão competente para questionar judicialmente esse tipo de decisão.
A relação entre a Polícia Federal e o ministro já havia se desgastado anteriormente. Em outra decisão, Mendonça determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, permanecesse sem acesso às informações do inquérito.
Na ocasião, Rodrigues afirmou que a medida apenas formalizava um procedimento que, segundo ele, é adotado há décadas para preservar a independência das investigações conduzidas por delegados responsáveis pelos casos.
Lulinha
A investigação também alcança Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No início deste ano, o STF autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dele.
Os investigadores apuram a suspeita de que ele teria atuado como sócio oculto do empresário Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como um dos principais alvos do esquema e preso desde o fim do ano passado.
Há cerca de duas semanas, a Polícia Federal concluiu a primeira etapa do inquérito e indiciou 48 pessoas. Entre os investigados estão Antônio Camilo Antunes, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira. O caso segue em análise no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça.
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Por Alícia Bernardes
postado em 30/07/2026 17:25

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