
O anúncio feito pelo senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta sexta-feira (31/7) de que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) será sua candidata a vice-presidente encerrou semanas de especulações, mas não eliminou as dúvidas nos bastidores. Embora Flávio tenha tratado a composição da chapa como definida, interlocutores do Progressistas afirmam que a ex-ministra da Agricultura ainda não considera o assunto totalmente concluído.
Fontes do PP ouvidas pelo Correio, sob reserva, afirmam que a escolha de Tereza Cristina nunca foi uma surpresa dentro das legendas PL e PP. Segundo esses relatos, ela sempre foi o nome preferido de Flávio para dividir a chapa presidencial por reunir atributos considerados estratégicos para a campanha: trânsito no Congresso, forte ligação com o agronegócio, boa interlocução com o setor produtivo e menor índice de rejeição em comparação com outros nomes da direita.
Apesar disso, a confirmação demorou mais do que o esperado. De acordo com integrantes do partido, a resistência nunca esteve na preferência de Flávio, mas na própria senadora. “Todos já sabiam que Tereza era a escolhida. O que atrasou foi que ela ainda estava receosa”, resumiu uma fonte.
Nos últimos dias, aliados intensificaram as conversas com a parlamentar para que ela aceitasse o convite. A avaliação era de que a campanha presidencial precisava definir rapidamente a chapa, diante do calendário eleitoral e da necessidade de ampliar alianças políticas. “Havia pressão para que ela aceitasse logo”, relatou outro integrante da legenda.
Mesmo após o anúncio feito por Flávio Bolsonaro, e de Tereza nas redes sociais, comunicando que conversou com Flavio, pessoas próximas às negociações afirmam que a ex-ministra mantém postura cautelosa. Segundo uma das fontes consultadas, a senadora ainda não comunicou publicamente sua decisão porque continua avaliando as implicações políticas da escolha.
“Ela mesma ainda nem falou que vai ser vice. Está digerindo a ideia”, afirmou um integrante do partido.
A senadora também teria defendido, durante as conversas com Flávio, maior participação feminina em um eventual governo e espaço para mulheres em cargos estratégicos da administração federal. O tema teria sido tratado como uma das prioridades nas negociações entre os dois.

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