Crime organizado

Tesouro dos EUA sanciona cidadãos brasileiros e empresas ligados ao PCC

Segundo o Departamento, investigação identificou operações da rede de lavagem de dinheiro principalmente na Flórida, nos Estados Unidos, e em São Paulo

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (1º/7) sanções contra dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa apontados como integrantes de uma rede ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que as autoridades americanas classificam como a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental.

Segundo o Departamento do Tesouro, o grupo teria utilizado o sistema financeiro dos Estados Unidos para lavar recursos obtidos com o tráfico internacional de drogas e outras atividades ilícitas. A investigação identificou operações da rede principalmente na Flórida, Estados Unidos, e em São Paulo, no Brasil.

A ação tem como alvo o núcleo paulista da estrutura, liderado por Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. De acordo com as autoridades americanas, Shimada atuava como elo entre integrantes do PCC baseados na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros.

O Tesouro americano afirma que Shimada e sua organização movimentaram mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados nos Estados Unidos e utilizaram criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome da facção.

Além da lavagem de dinheiro relacionada ao narcotráfico, Shimada também teria envolvimento em outros crimes financeiros. O Departamento do Tesouro informou que, em janeiro de 2025, ele chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil após uma empresa ligada a ele, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda., ser apontada como parte de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo fraude publicitária contra um clube de futebol brasileiro.

A operação anunciada pelo governo americano é resultado de uma investigação coordenada pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), com participação do escritório do FBI em Miami e da unidade de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça dos EUA.

Ameaça crescente

Em comunicado, o Departamento do Tesouro afirmou que o PCC ampliou sua atuação internacional nos últimos anos, com presença em países como Reino Unido, Turquia e Japão, e representa uma ameaça crescente devido à expansão de suas fontes de financiamento ilícito.

As autoridades americanas também citaram operações recentes no Brasil que revelaram esquemas de lavagem de dinheiro baseados em comércio. Segundo o Tesouro, uma dessas estruturas utilizava uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para movimentar mais de US$ 190 milhões em sete meses.

“Não podemos permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade”, afirmou o subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira do Departamento do Tesouro, Gene Lange.

A medida foi tomada com base em ordens executivas americanas voltadas ao combate à proliferação de drogas ilícitas, seus mecanismos de financiamento e redes de apoio financeiro a organizações criminosas.

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