Comércio Exterior

Planalto vê ação na OMC contra tarifaço de Trump como medida protocolar

Nos bastidores, governo avalia que recurso reforça posição do Brasil, mas vê pouco efeito prático diante da crise na organização

Embora o governo brasileiro tenha decidido recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a avaliação reservada no Palácio do Planalto é de que a iniciativa tem um peso mais protocolar do que prático.
Integrantes do governo afirmam que a medida busca acionar os mecanismos institucionais disponíveis para contestar a sobretaxa e registrar formalmente a posição brasileira no sistema multilateral de comércio. 
Nas coxias, a expectativa é de que a ação dificilmente produzirá efeitos concretos no curto prazo sobre a decisão americana.

Organização paralisada

A percepção se deve ao cenário enfrentado pela própria OMC. A organização, responsável por arbitrar disputas comerciais entre países-membros, vive uma crise institucional desde a década passada. 
O principal entrave é a paralisação de seu Órgão de Apelação, consequência da falta de indicação de novos juízes pelos Estados Unidos, o que compromete a efetividade do sistema de solução de controvérsias.
Interlocutores do governo avaliam que o recurso à OMC cumpre, sobretudo, um papel formal e diplomático, demonstrando que o Brasil está utilizando as instâncias multilaterais previstas para contestar as medidas adotadas por Washington.

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